Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 15/04/2021
O filósofo alemão - Byung-Chul Han - alega, em seu livro “Sociedade do Cansaço”, que a toxicidade do sistema profissional desencadeia inúmeros distúrbios emocionais - conceito conhecido, atualmente, como Síndrome de Burnout. Todavia, a problemática relatada pelo filósofo não recebe a devida importância na contemporaneidade. Logo, é necessário evitar o excesso de tarefas, bem como analisar a instabilidade do mercado de trabalho, a fim de evitar possíveis vítimas dessa síndrome.
Diante desse cenário, é válido ressaltar que a sobrecarga de atividades provoca o decaimento da saúde mental. Nesse viés, a Revolução Informacional - marcada pelo uso das tecnologias - favoreceu o acúmulo de tarefas e a otimização ao máximo da produção no trabalho. Entretanto, o excesso de atribuições diárias, imposto pela referida revolução, faz com que o lazer e o bem-estar intelectual deixem de ser prioridades na vida do profissional, levando-o, por conseguinte, ao lamentável esgotamento físico e mental. Assim, enquanto as exigências profissionais estiverem acima do descanso pessoal, o indivíduo terá que lidar com um grave empecilho: o estresse cotidiano.
Outrossim, as crises econômicas colaboram para a prevalência da síndrome de Burnout. A esse respeito, a Grande Depressão - maior crise da história - trouxe instabilidade ao mercado de trabalho e deixou claro que o medo do desemprego propicia graves quadros de problemas psiquiátricos. Nessa lógica, os cidadãos começaram a elevar o nível de autocobrança a fim de prevenir a possível exoneração do cargo - maléficos efeitos da crise mencionada - favorecendo um grave imbróglio: o desgaste cognitivo. Dessa forma, é crucial analisar a estabilidade econômica dentro de sua respectiva formação, com o propósito de evitar a autocobrança desnecessária.
Portanto, é fulcral tratar a Síndrome de Burnout com a devida importância. Para isso, cabe ao Ministério Público do Trabalho (MPT) combater as jornadas exaustivas de serviço - como as que ultrapassam as 8h permitidas por lei - por meio de visitas regulares a empresas em que os profissionais manifestem sinais de desgaste. Ademais, essa iniciativa do MPT teria a finalidade de promover a valorização da saúde física e mental dos trabalhadores, que passariam a lidar melhor com as crises, por exemplo, em situação crítica de instabilidade e de competitividade do mercado laboral. Dessa maneira, a situação relatada pelo filósofo alemão ficará restrita ao seu livro.