Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 09/07/2021

Na série “Grey’s Anatomy”, que foca em um grupo de médicos que começam suas carreiras como residentes de cirurgia, a residente Cristina Yang demonstra ser viciada em trabalho, pois se ocupa até em seus momentos de folga, como meio de esquecer os problemas. Fora da ficção, nota-se que é assim que normalmente se inicia a Síndrome de Burnout - exaustão física e emocional relacionada ao mercado de trabalho - que já afeta cerca de 33 milhões de trabalhadores brasileiros. Nesse sentido, é válido analisar que esta síndrome tem início com o excesso de trabalho e gera um baixo desempenho profissional, além de desencadear outros transtornos psíquicos.

Em primeiro lugar, é fundamental ressaltar que tudo em excesso é prejudicial, e isso não é diferente quando se trata de trabalho. Isto posto, analisa-se que uma possível obsessão relacionada ao trabalho tem origem na Revolução Industrial, pois o modelo de produção em massa exigia que os operários se desgastassem em níveis extremos. Sob essa ótica, torna-se perceptível que quanto maior a demanda de trabalho, maior esforço é exigido do trabalhador. Paralelamente, ainda que, nos dias atuais, o trabalho não seja mais tão mecânico, devido aos avanços da tecnologia, os funcionários, muitas vezes, continuam conectados às suas tarefas mesmo fora do ambiente de trabalho, pois a distância é sempre de um “clique”. Dessa forma, nota-se que o trabalho, quando em demasia, pode resultar em patologia.

Concomitantemente, nota-se que a Síndrome de Burnout causa inúmeros prejuízos ao trabalhador, tanto em sua saúde - doenças psicossomáticas - quanto no âmbito profissional, comprometendo seu desempenho. Nessa perspectiva, o indivíduo que desenvolve esse tipo de transtorno psíquico é produto da chamada “Sociedade do Cansaço”, que de acordo com o filósofo coreano Byung-Chul Han, é uma fadiga extrema gerada pelo excesso de estímulos que, por sua vez, incapacita a realização de outras atividades. Desse modo, é nítido que a produtividade, apesar de ser boa, quando exacerbada, leva o indivíduo à exaustão. Logo, é importante analisar até que ponto o envolvimento com o trabalho está em um nível saudável, antes que se desenvolva Burnout e, consequentemente, outros transtornos psíquicos ou até mesmo físicos.

Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para diminuir o índice dos casos da Síndrome de Burnout entre os trabalhadores. Desta maneira, faz-se necessário que a Secretaria do Trabalho, por meio da criação de projetos, incentive os indivíduos a praticarem lazer ativo constantemente, como esportes ou passeios com a família. Ademais, as empresas devem garantir que o setor de Recursos Humanos esteja atento quanto a saúde dos funcionários e, quando necessário, devem proporcionar acompanhamento psicológico gratuito para tratamento do transtorno.