Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 11/05/2021

O desenho japonês “Violet Evergarden” conta a história de uma veterana do exército, completamente devota a seu trabalho, que, com o fim da guerra, precisa encontrar um novo significado para sua vida fora de seu dever. A obra apresenta um fenômeno comum nos dias de hoje, a super dedicação ao trabalho, que pode levar a uma condição de esgotamente físico e mental, denominada Síndrome de Burnout, muito presente no meio profissional atualmente, afetando 30% dos trabalhadores brasileiros segundo a International Stress Management Association. A epidemia dessa síndrome na sociedade é causada por um consumismo exarcebado e por uma manutenção de uma mentalidade de supervalorização à técnica.

Primeiramente, o consumo não consciente é um dos principais responsáveis pela grande quantidade de casos de esgotamento físico e mental. No livro “A Civilização do Espetáculo”, Mario Vargas Llosa argumenta que a busca pela diversão se tornou o principal valor da sociedade moderna e, como as propagandas prometem diversão e felicidade pelo consumo, os indivíduos passam a ficar obcecados com conquistas econômicas com o objetivo de comprar mais. Essa obsessão leva a uma dedicação excessiva ao trabalho, podendo ocasionar episódios de Burnout.

Além disso, a supervalorização da técnica tem contribuído para esse quadro negativo. A partir do século XVII, várias correntes de pesamento passaram a valorizar demasiadamente a técnica e o trabalho. Hegel, por exemplo, argumentou que os escravos, ao alterar a realidade por meio do trabalho, conquistam sua liberdade e tornam-se independentes, já que afrontam, dessa forma, o determinismo natural. Essas idéias ainda influenciam a sociedade e podem fazer com que os indivíduos valorizem mais o profissional do que o pessoal, contribuindo para a epidemia de fadiga mental e física.

Percebe-se, assim, que a grande quantidade de casos de Burnout é causada atualmente pela supervalorização da técnica e pelo consumismo. Dessa forma, para resolver esta problemática, torna-se necessário que o governo federal crie um programa de conscientização dos trabalhadores, espalhando mensagens, por meio de palestras e propagandas nos meios de comunicação em massa, a respeito da Síndrome de burnout e de incentivo ao cuidado com a vida pessoal. O estresse e o esgotamento físico e mental no âmbito profissional seriam, então, drasticamente reduzidos, ajudando a criar um novo ambiente de trabalho mais humano.