Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 23/05/2021

No início dos anos 70, o psicanalista Herbet Freudenberg desenvolveu o conceito de Burnout, conhecido como a Síndrome do Esgotamento Profissional, cuja principal característica é o estresse e o desânimo crônicos. Contudo, o problema descrito pelo médico não recebe tanta importância na contemporaneidade, afetando milhares de brasileiros. Com efeito, exige-se uma análise cuidadosa acerca do excesso de tarefas e da instabilidade do mercado de trabalho.

Diante desse cenário, é possível observar que o trabalho em excesso possui íntima relação com o problema do esgotamento profissional no Brasil. Nesse sentido, a Terceira Revolução Industrial, marcada pelo uso da tecnologia, possibilitou que os indivíduos acumulassem tarefas e otimizassem ao máximo o tempo de produção no trabalho. Todavia, esse exagero de atribuições diárias, imposto pela Revolução Informacional, pode ser nocivo e prejudicar o trabalhador, já que o lazer e o bem-estar são negligenciados por muitos empregadores e empregados. Assim, fica evidente a necessidade de valorizar a saúde mental dos servidores contemporâneos.

Outrossim, as crises econômicas favorecem a prevalência da Síndrome de Burnout. Nesse contexto, a Grande Depressão trouxe instabilidade ao mercado de trabalho a partir de 1929 e deixou claro que o medo do desemprego pode ser a causa para problemas psiquiátricos. Dessa maneira, o esgotamento profissional é um cruel desdobramento da recessão econômica, tal como ocorreu na Crise de 29, visto que o indivíduo vivencia uma constante instabilidade e competitividade no mercado laboral. Logo, é subtancial a mudança desse quadro.

Infere-se, portanto, que a Síndrome de Burnout necessita ser combatida. Assim, o Ministério Público do Trabalho deve combater, com urgência, os serviços com jornada exaustiva, como os que ultrapassam as 8 horas permitidas pela lei, por meio de visitas regulares a empresas cujos profissionais manifestem esgotamento. Essa ação do MPT teria a finalidade de promover a valorização da saúde física e mental dos indivíduos, bem como a situação de instabilidade e de competitividade do mercado laboral. Dessa forma, o fenômeno descrito por Freudenberg deixará de ser um problema no Brasil.