Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 18/07/2021

Na década de 1940, Getúlio Vargas realizou reformas nas leis trabalhistas, regulamentando os direitos do proletariado brasileiro. Atualmente, apesar de o mundo moderno introduzir, a cada dia, novas exigências produtivas aos trabalhadores, a legislação é estática. Nesse contexto, seja devido à displicência estatal com o assunto, seja pela incompreensão dos empregadores no que diz respeito aos funcionários, estes sentem-se esgotados fisicamente e mentalmente. Com isso, é evidente a necessidade de um debate entre o Estado e a sociedade, a fim de que a saúde da classe trabalhadora seja assegurada.

Em primeiro lugar, pode-se destacar a negligência do Governo Federal como causa para o cansaço e adoecimento dos empregados no país. Dessarte, assim como o dito por Karl Marx, que o Estado gere apenas os negócios comuns à burguesia, as reformas trabalhistas, como a redução das jornadas de trabalho e o prolongamento das férias, quando são aprovadas pelo Congresso Federal, ficam estagnadas e deixam de ser sancionadas e aplicadas. Por consequência, baseado na imposição, pelos empregadores, de uma intensa produtividade, os limites de carga horária nos serviços são desrespeitados. Com isso, além de haver o desgaste do funcionário e a piora dos estados emocionais pelo excesso de trabalho, há a infração do artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, que assegura o direito de todos à saúde.

Em segundo lugar, convém ressaltar a classe burguesa, detentora dos meios de produção, como, também, culpada pela ocorrência de síndromes relacionadas ao trabalho, visto que essa é desumana frente aos trabalhadores. Dessa forma, a ideia da escritora Françoise Héritier no que concerne ao mal iniciar-se com a resignação torna-se realidade, à medida que, por haver o desentendimeneto do empresariado sobre a importância de preservar a saúde dos funcionários em sua multiplicidade, isto é, fisicamente e emocionalmente, ocorre, novamente, o excesso de exigências no trabalho. Por conseguinte, a exemplo da ideia de Albert Einstein acerca de, na Era da Informação, a indiferença ser equivalente à morte, as tecnologias, que possibilitam uma maior produtividade em um menor período, são utilizadas como, majoritariamente, uma forma de obtenção de lucro desmedido, desrespeitando os limites de cansaço dos proletários.

Diante disso, é evidente o descompasso entre o Estado e a sociedade na resolução dos erros existentes. Logo, cabe ao presidente, o responsável pela oficialização das leis, a sanção de reformas trabalhistas, por meio do Diário Oficial da União, com a finalidade de assegurar uma melhor qualidade de vida aos assalariados brasileiros. Outrossim, é de responsabilidade dos sindicatos trabalhistas o estabelecimento de limites de produtividade e a fiscalização do cumprimento das leis. Nesse cenário, o Brasil será, ao mesmo tempo, saudável e produtivo.