Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 10/06/2021

O estresse gerado pelas relações de trabalho contemporâneas cerceiam o pensamento de que este país deliberadamente é antagônico devido suas raízes formadoras, como refletiu o psicanalista Roberto Gambini na obra “Outros Quinhentos”. Esta mesma assertiva é análoga à Macunaíma – personagem de Mário de Andrade –, ao representar a metáfora de um brasileiro sem natureza definida. Nesse viés e com base no presente, questões estruturais da sociedade, como a conexão digital ao trabalho e a busca pela produtividade e ascensão econômica, ainda são tratadas sem visibilidade. É nesse cenário, então, que se delineia a discussão sobre a síndrome de Burnout e seus efeitos nocivos ao cidadão.

O uso das redes digitais para o trabalho ilustra o pensamento de Roberto Gambini, pois a falta de identidade social torna-se latente diante dos efeitos dessa ação na saúde do homem. Nessa perspectiva, irrefutavelmente, a síndrome de Burnout – caracterizada pelo constante esgotamento físico e mental –, é acentuada com o uso desmedido dos meios digitais. Responder e-mails e atender ligações em casa fazem com que a síndrome, que, segundo a OMS, acomete mais de 33 milhões de brasileiros, se agrave. A principal consequência é o aumento expressivo do estresse, mostrando que essas tecnologias não existem em função do próprio povo. Nesse contexto, concede-se razão a Gambini, visto que o Brasil permanece ainda colonizado no início da história daqueles quinhentos anos.

No que concerne as relações sociais, o impacto é maior na frustração e falta de motivação causadas pelo Burnout. Por esse ângulo, a busca exagerada pela produtividade é a fórmula do desastre. A demanda incoerente das empresas por resultados, por muitas vezes, acarretam na sobrecarga do trabalhador. Essa sobrecarga, retratada por Chaplin em “Tempos Modernos”, não gera o efeito esperado, fazendo com que o trabalhador se frustre e perca a motivação no trabalho. O ciclo do Burnout se intensifica, então, por fazer com que o indivíduo tente produzir cada vez mais, gerando o esgotamento característico da síndrome. Deve-se garantir, então, que não sejam necessários “outros quinhentos anos” para que o brasileiro tenha acesso adequado ao tratamento da síndrome de Burnout.

Portanto, é preciso uma intervenção visando tratamento adequado para o Burnout. É imprescindível a criação de uma plataforma de fácil acesso aos cidadãos, financiada pelo Ministério da Saúde, com o intuito de fornecer atendimento psicológico ao brasileiro. Essas ações devem ser tomadas visando reduzir os índices da síndrome no Brasil. Além disso, essa plataforma deve impulsionar uma campanha nas redes sociais populares, favorecendo a divulgação de informações dos benefícios de cultivar atividades de lazer para o combate do Burnout. Desse modo, o Brasil se distanciará da personalidade de “herói sem caráter” de Macunaíma, quebrando paradigmas e alcançando a isonomia social.