Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 14/06/2021

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se revertebrado com ênfase na prática quando se observa a síndrome de Burnout, caracterizada como um esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o esgotamento físico e mental dos trabalhadores. Nesse sentido, o esforço prestado pelo governo no combate dessa síndrome depressiva e não é suficiente. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista, Jonh Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de monitoramento sobre os empregados como impulsionador da piora psíquica no Brasil. “A Atitude de Blasé- termo proposto pelo sociólogo alemão, Georg Simmel, no livro “The Metropolis and Mental Life”- ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações em que deveria dar atenção. Diante de tal exposto, o pensamento citado cabe perfeitamente em casos que os colegas de profissão, observam indícios de esgotamento por parte da pessoa sofrida, mas optam por se calar. Assim agravando o problema e tornando-o mais difícil de ser tratado.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Estadual, por intermédio do Ministério da Saúde, desenvolva e aplique palestras em empresas, locais públicos e em meios mediáticos a fim de encontrar indícios da síndrome de Burnout nos assalariados em questão e aplicar monitoramento e acompanhamento psicológico a fim de encontrar sinais de estágios iniciais de alguma doença mental. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade em que o Estado desempenha corretamente o seu “contrato social”, tal como afirma Jonh Locke.