Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 20/06/2021

O psicólogo Herbert Freudenberger descreveu, com o advento do acúmulo das funções laborais resultantes da Terceira Revolução Industrial, um conjunto de sintomas denominado de “Síndrome de Burnout”. Nesse contexto, tal patologia relaciona-se ao esgotamento profissional e tem se tornado um grave problema à medida que atrela-se a exploração trabalhista e a ineficiência do Estado sobre o tema. Diante disso, faz-se imperiosa a análise dos fatores que levam a esse quadro.

Em primeiro lugar, vale salientar que o Burnout é o resultado direto da exploração do trabalhador inerente ao próprio sistema de mercado que está inserido. Nessa conjuntura, o lucro é a lei e sua obtenção, de acordo com Marx, decorre da exploração direta do próprio valor do trabalho. Ademais, aliado aos conceitos atuais de produtividade e de “tirania de métricas”, ou seja, a cobrança excessiva por resultados, a exploração é levada ao limite, quase como uma violência, reverberando no Brasil em 33 milhões de trabalhadores com algum sintoma ligado ao esgotamento crônico, de acordo com a Stress Management Association (ISMA). É um cenário de adoecimento, inadmissível que continue a perdurar.

Por outro lado, há a ineficiência do Estado em gerenciar e criar políticas de enfrentamento ao desgaste profissional, agravado com o advento do que o autor Byung-Chul Hang chamou de “Sociedade do Cansaço”. Nesse ínterim, o ambiente de trabalho é permeado por relações tóxicas, competitividade, busca por resultados, bem como uma positividade exacerbada dispensada pelas doutrinas empresariais. Logo, os resultados são estafa, hiperatividade, falta de concentração, transtornos depressivos, incapacitação e Burnout. Dessa maneira, tem-se um problema de cunho grave, sistematizado e estrutural sem intervenção efetiva que o resolva.

É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas para resolução dessa problemática. Assim, a Secretaria do Trabalho juntamente com as empresas – principais atores desse processo – devem encabeçar o “Programa Enfrentamento ao Burnout”, que vise o combate ao esgotamento profissional. Essa iniciativa aconteceria pela formulação de uma política de satisfação no trabalho, com bonificação às empresas e trabalhadores, bem como a implementação de instrumentos que fomentariam a melhoria nas condições laborais. Tal iniciativa promoveria, não somente, um contraponto à síndrome enunciada por Freudenberger, mas uma condição para desenvolvimento de um trabalho com bem-estar e qualidade.