Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 14/07/2021
O trabalho, segundo o sociólogo Karl Marx, é uma atividade intrínseca e exclusiva ao ser humano e é dele que se originam todos os aspectos da sociedade. Seu excesso, porém, pode engendrar a Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento físico e mental, e isso ocorre, principalmente, em virtude da importância desproporcional que o labor ganha no capitalismo e da diminuição do espaço entre as vidas pessoal e profissional na era digital.
Em primeiro lugar, percebe-se que o trabalho, na sociedade ocidental, adquiriu uma dimensão quase sagrada, conforme postula o sociólogo frankfurtiano Adorno. Para o estudioso, em nenhum outro período da história essa atividade foi tão importante como é agora, e isso resulta na construção de uma cultura que supervaloriza a vida profissional em detrimento da pessoal. Consequentemente, o trabalhador diminui, voluntariamente, o descanso e o lazer, aumentando, assim, a ocorrência de sobrecargas mentais e físicas.
Além disso, é evidente que a era digital, por meio da diminuição dos espaços entre as esferas pessoal e profissional, contribuiu para a incidência e o agravamento de Síndromes de Burnout. No livro ‘‘21 Lições para o Século 21’’, do historiador Israelense Yuval Harari, é citado o fato de existirem, com a internet, inúmeras ferramentas para manter contato com o empregado, o que torna possível mantê-lo sob controle mesmo fora do horário de expediente. Logo, com a pressão constante, a saúde mental do trabalhador fica comprometida, o que pode evoluir para o esgotamento total de suas energias.
É imprescindível, portanto, que se reestabeleça o equilíbrio de importância entre as vidas profissional e pessoal, e que esta seja respeitada. Para isso, o empregador deve oferecer atendimentos psicológicos esporádicos que avaliem o estado mental dos funcionários, já que a saúde e eficiência destes interessa àquele. Em ordem de tornar tal atitude viável, o Ministério da Economia precisa conceder incentivos fiscais aos que adotarem essa prática. Por fim, as partes envolvidas devem realizar um acordo acerca do contato profissional fora do expediente, visando à preservação do descanso e lazer do funcionário e ao consequente melhor aproveitamento da mão de obra. Dessa forma, minimizar-se-ão os casos de Síndrome de Burnout.