Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 18/07/2021
No filme “Tempos Modernos”, Charlie Chaplin demonstra a influência do capitalismo nas relações trabalhistas e sociais do indivíduo que, a partir da mecanização produtiva e constante repetição dos mesmos movimentos e rotina, passa a perder sua própria individualidade e livre arbítrio, reduzido à única função de gerar lucro para a empresa para a qual trabalha. Tal premissa é verificada na atualidade brasileira no espectro da Síndrome de Burnout, referente ao esgotamento físico e mental do indivíduo em relação à sua vida profissional, num ambiente onde os estes sentem-se constantemente pressionados a superar as expectativas produtivas de seus contratantes. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas a falta de empatia e a priorização de interesses financeiros.
Dessa forma, em primeira análise, o individualismo é um desafio presente no problema. Durkheim afirma que “nosso egoísmo é produto da sociedade”. Tal cultura não empática influi sobre o comportamento no que concerne à Síndrome de Burnot onde, sem ajuda, os indivíduos passam a presenciar um ciclo de autocobrança e constante sensação de cansaço existentes a partir de uma alta carga de trabalho, estando expostos aos sintomas físicos e psicológicos da síndrome. Num ambiente sem amparo e incentivo ao cuidado psiquiátrico da questão, os sintomas passam a afetar a vida do profissional e, consequentemente, sua produtividade. Assim, reverter o individualismo a nível social é essencial para dissolver esse problema.
Para Foucault, a sociedade só considera o ser humano útil quando está produzindo. Tal perspectiva é clara em relação ao esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, a partir da constante necessidade que o indivíduo sente de produzir mais de modo a ser reconhecido pelo âmbito superior, inclusive nas horas que deveriam ser vagas, como o tempo em casa que passa a representar horas extras trabalhadas, entretanto, não contabilizadas, de modo que a constante recepção de e-mails, telefonemas, etc. levam o trabalhador a não descansar a mente por sentir a necessidade de solucionar as questões que lhe são apresentadas antes de praticar o autocuidado. Assim, é preciso que a lógica capitalisata seja revista urgentemente. Portanto, é imperativo agir sobre o problema.
Para isso, o Poder Público deve investir na oferta gratuita e periódica de consultas psicológicas aos funcionários de grandes e médias empresas, a fim de realizar o acompanhamento próximo e prevenir a Síndrome de Burnout, além reverter a supremacia de interesses mercadológicos que impera. Tal ação pode, ainda, ser divulgada na mídia de massa para que a população tome conhecimento. Paralelamente, é preciso intervir sobre a falta de empatia presente no problema. Dessa forma, a representação da realidade de Chaplin poderá continuar no âmbito distópico da cinematografia.