Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 16/11/2021
Sob a perspectiva filosófica de Byung-Chul Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, o ser humano vive a insana procura pela alta produtividade, em quaisquer meios, mesmo que isso retire seus prazeres e afete sua saúde mental. Nesse contexto, a Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento físico e psicológico ligado à vida profissional, se torna uma realidade de muitos brasileiros, seja pela contínua crise socioeconômica no país, seja pela alta competitividade no mercado de trabalho.
Diante disso, é importante destacar o contínuo declínio econômico no Brasil, amplamente agravado pela pandemia da Covid-19, que denuncia mais de 14 milhões de desempregados, segundo dados do Ministério Público, em 2021. Nesse viés, a problemática evidenciada pelo estudioso sul-coreano Byung-Chul se faz presente, uma vez que esta camada da população necessita de meios para sobreviver. Dessa forma, submetem-se em grande parte ao trabalho informal, e abdicam dos seus direitos trabalhistas. Tal abdicação se torna um fator perigoso para o indivíduo, pois ele não está protegido pelas leis do Estado que lhe são garantidas, e assim, se constrói um cenário confortável para muitos casos de escravização contemporânea — como exposto no filme “7 Prisioneiros”, longa da Netflix que explana diversos aspectos do trabalho escravo na sociedade atual. No projeto, os personagens possuíam uma enorme jornada diária de trabalhos degradantes, a fim de conseguirem pagar dívidas ao chefe e saírem do sistema que foram submetidos.
Paralelamente, a competitividade no mercado de trabalho também serve como um fator agravante para o “burnout”. Nessa ótica, o empregado se vê constantemente na necessidade de trabalhar excessivamente para conseguir aumentos e destaques no seu âmbito profissional. Em adição, a influência tecnológica faz com que o indivíduo se torne cada vez mais dependente do trabalho, já que ele pode estar contínuamente ligado às atividades que precisa realizar profissionalmente. Consequentemente, o estresse agregado ao acúmulo de agenda e o desejo por reconhecimento contribuem intrinsecamente para a situação alarmante no país: de acordo com o Stress International, aproximadamente 16% dos brasileiros sofrem com a síndrome de esgotamento físico e mental.
Tendo em vista os fatos supracitados, faz-se necessário aderir medidas que venham amenizar o quadro atual. Portanto, urge que o Estado, em figura do Ministério da Cidadania, recrie a Instituição do Trabalho, por meio de uma Medida Provisória enviada à Câmara dos Deputados. Essa medida terá foco na restituição do Ministério do Trabalho como um corpo próprio, para fortificar e analisar as fiscalizações trabalhistas no país, a fim de reverter a problemática de esgotamento total do indivíduo ligado à vida profissional. Somente assim, estaremos contrários à realidade de “7 Prisioneiros”.