Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 23/08/2021

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o esgotamento físico e mental causado pela vida profissional, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Inicialmente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o aumento dos casos da síndrome de Burnout. Nesse sentido, torna-se importante refletir sobre a carência de políticas públicas com o objetivo de amparar os servidores no âmbito de trabalho. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do ‘’contrato social’’, uma vez que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos disfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que é evidente no país.

Paralelamente, é necessário apontar as condutas abusivas das empresas como impulsionadora do agravamento da saúde mental de seus funcionários. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde - a síndrome de Burnout afeta 33 milhões de Brasileiros. Diante do tal exposto, torna-se evidente que a demanda excessiva das empresas é nociva ao bem-estar dos funcionários juntamente ao padrão ‘‘workaholic’’ promovido pela sociedade, afetando o desempenho dos servidores e, por consequência, de toda uma empresa. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, responsável pela manutenção social, por intermédio de leis e investimentos, crie políticas públicas como a implantação de atendimento psicólogo para os trabalhadores, a fim de auxilia-los a lidar com o esgotamento psicológico causado pela rotina exaustiva. Ademais, o Estado deve promover palestras educativas a fim de conscientizar a população sobre as novas doenças causadas pela rotina exaustiva de trabalho. Assim, se consolidará uma sociedade mais promissora, onde o Estado desemprenha corretamente seu ‘’contrato social’’, tal como afirma John Locke.