Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 09/09/2021

Um dos princípios do capitalismo é medir o valor de um indivíduo baseado na força de trabalho que possui, gerando riqueza para si e para a sociedade. À sombra disso, no entanto, as comunidades pós-modernas e os seus mercados exigem, progressivamente, mais esforço e dedicação, o que resulta em pessoas robotizadas e sem prazer pela rotina. Nessa perspectiva, vale a pena analisar os limites individuais, além, é claro, dos discursos que influenciam nesse processo destrutivo no Brasil.

Torna-se relevante, de início, caracterizar como outros países enfrentam esse problema que está intrinsecamente associado ao cotidiano atual. Nesse viés, a França adotou legislativamente como crime de abuso a prática de contatar ou enviar qualquer tipo de assunto relacionado à trabalho após o horário de expediente. Tal medida teve que ser tomada devido o advento da internet e a modernização de celulares, que ficam conectados durante todo o tempo, facilitando a comunicação com o empregado em seu tempo privado. Dessa forma, o modelo imposto pelo país europeu, não só diminuiria o impacto do esgotamento mental, como também aumentaria a produtividade, pois respeitando-se o lazer do trabalhador ele certamente terá a saúde mental estável.

Outrossim, a volatilidade das relações modernas impede que haja empatia e uma liderança saudável no ambiente de trabalho, pois a satisfação dos colaboradores é preterida em detrimento do lucro absoluto. Sob esse ângulo, o sociólogo polonês Zygmund Bauman, na obra Modernidade Líquida, caracterizou a pós-modernidade e a sua organização comunitária como compostas por relações efêmeras e vazias. Analogamente, a Síndrome de Burnout acontece, sobretudo, quando o trabalhador é enxergado como um produto que quando não suportar ou apresentar a mesma produtividade poderá ser descartado. Ressalta-se que no Brasil 16,5% da população economicamente ativa apresenta, alguma disfunção psicossocial por esgotamento, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas. Certamente, o quadro tende a piorar caso não haja uma conscientização acerca do quão prejudicial é não manutenção do bem estar coletivo nesse âmbito.

Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Para tal, o Ministério do Trabalho deverá, por meio das relações diplomáticas já existentes, implementar uma medida provisório que permita a execução da proibição do contato com o empregado após o horário de expediente. Assim, será possível observar os resultados da medida e caso forem positivas, poderá permanecer definitivamente. Ademais, o Ministério da Cidadania, em parceria com as Secretarias de Educação Estaduais, poderás criar campanhas informativas sobre Síndrome de Burnout e suas consequências para a sociedade, distribuindo folhetos e elucidando o assunto.