Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 17/09/2021

Charles Chaplin, em 1936, interpretou um operário de uma linha de montagem no filme “Tempos Modernos”. Por ter uma carga horária intensa e pela monotonia frenética do seu trabalho, seu psicológio é afetado - o operário chega a confundir botões de roupa com parafusos. Fora das telas, no mundo contemporâneo, o trabalho estressante e excessivo impacta diretamente na saúde mental dos empregados, levando ao desenvolvimento da Sídrome de Burnout. Nesse contexto, torna-se fundamental a análise da problemática e que medidas sejam encontradas a fim de reverter esse cenário.

Primeiramente, é importante destacar a conduta abusiva das empresas. Os trabalhadores são submetidos a trabalhos excessivos e estressantes, nos quais devem lidar com pressão e responsabilidade constante. Isso facilita o desenvolvimento da Síndrome de Burnout, um estado de esgotamento físico e mental que, se não tratada, pode resultar em depressão e ansiedade. Segundo uma pesquisa da Internacional Stress Management Association (Isma), 33 milhões de pessoas sofrem da Síndrome de Burnout no Brasil. Isso significa 30% dos profissionais brasileiros. E só em 2017, cerca de 179 mil trabalhadores no Brasil foram afastados de suas atividades por causa de transtornos mentais e comportamentais, segundo o Ministério da Fazenda.

Ademais, é válido salientar a alienação dos trabalhadores como promotor do problema. Segundo o pensamento Marxista, a classe dominante controla ideologicamente as ações e comportamentos do coletivo. Nessa lógica, a classe dominante cria a ideia de que trabalhar muito é sinônimo de sucesso, o que leva as pessoas a autocobrança e excesso de trabalho em busca de alcançarem seus objetivos profissionais, por conseguinte, levando a exaustão física e mental.

Desprende-se, portanto, que é imprescindível a elaboração de medidas governamentais para mitigar o esgotamento dos profissionais. Sendo assim, cabe ao Ministério do Trabalho, em paralelo com o departamento de Recursos Humanos, fiscalizar as empresas, através de denúncias anônimas feitas nas redes de comunicação da organização e visitas mensais de fiscais enviados pelo ministério, com o objetivo de evitar cargas horárias abusivas e abusos verbais por parte dos gestores. Ademais, o Poder Legislativo deve promulgar uma lei que exija que em toda empresa tenha ao menos um pscicólogo para atendimento mensal de todos os trabalhadores, garantindo maior apoio aos trabalhadores e uma melhoria na saúde mental dos mesmos. Assim, a vida do personagem de Chaplin não será mais o retrato dos profissionais hodiernamente.