Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 17/09/2021
O conceito de Burnout, que ficou conhecido como Síndrome do Esgotamento Profissional, foi criado em 1974 pelo médico alemão Herbert Freudenberger e pode ser entendido como um transtorno que está diretamente ligado aos fatores que influenciam as enfermidades relacionadas às rotinas de serviço desmedidas, como a depressão. Essa condição médica, com o passar dos anos, começou a se tornar tão grave e notória que chegou a ser incluída na Classificação Internacional de Doenças da OMS, Organização Mundial da Saúde. Nesse sentido, observa-se que esse problema segue sendo influenciado pelo culto ao trabalho exagerado e causa grandes impactos tanto no individuo afetado quanto na economia.
Diante do exposto, é notório destacar que o burnout vem em paralelo com a tendência de romantizar a sobrecarga de tarefas. Isso porque, em especial depois da Revolução Industrial, o estímulo à eficiência e produtividade atribuiu mais valor a visão de que o trabalho árduo é virtuoso e traz benefícios, mesmo as custas do bem-estar do indivíduo. Sobre isso, a professora emérita de psicologia da Universidade da Califórnia, Christina Maslach, compara a exaustão oriunda dessa rotina com as cicatrizes de combate que, séculos atrás, eram vistas como medalhas de honra. Assim, ocorre a desvalorização da integridade física e mental do empregado que passa a conviver com a Síndrome do Esgotamento Profissional.
Consequentemente, observam-se efeitos negativos tanto no trabalhador quanto na empresa. Esse contexto envolve uma pessoa afetada pela exaustão emocional, pela despersonalização e com a tendência de se avaliar negativamente o tempo todo, além de se tornar mais suscetível a outros problemas como o Transtorno de Ansiedade Generalizada. Já para o empregador tal situação pode levar a grandes perdas de recursos, visto que, de acordo com a OMS, problemas associados à saúde mental no trabalho levam a uma queda de produtividade que resulta num prejuízo de 1 trilhão de dólares por ano no mundo. Desse modo, torna-se imprescindível combater tal enfermidade para que a economia e os profissionais permaneçam saudáveis.
Convém, portanto, ao Ministério da Saúde e ao Ministério Público do Trabalhador, em parceria com a mídia, promover a valorização do bem-estar físico e mental dos trabalhadores por meio da criação e divulgação, em empresas e nos diversos meios de comunicação, de campanhas publicitárias que informem e conscientizem sobre a Síndrome de Burnout, enfatizando suas causas e consequências. Espera-se, com isso, desromantizar as rotinas de trabalho excessivas e impulsionar o combate a esse fenômeno descrito por Freudenberger.