Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 17/09/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo sexto, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, dificultando, destarte, a universalização desse direito social tão importante. Dado o exposto, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, vale salientar a ausência de medidas governamentais que combatam o estresse físico e psicológico no ambiente de trabalho. Dessa forma, tal problemática trata-se de algo comum no mercado de trabalho competitivo, uma vez que os profissionais atuam sob grande pressão para superar as expectativas do contratante. Desta maneira, a autocobrança e a carga de trabalho extrapolada são frequentes, ocasionando em consequências negativas, tanto para o funcionário, como sintomas que vão desde dor de cabeça até depressão, quanto para a empresa, já que esse esgotamento faz com que a produtividade do trabalhador diminua exponencialmente.

Outrossim, é fundamental apontar a falta de cuidado à saúde mental como impulsionador da problemática no Brasil. “Ter um corpo bonito de nada adianta se a mente não está bem”, disse a terapeuta Stéphanie Brasil. Deste modo, as pessoas concentram seus cuidados apenas à saúde física, mas esquecem de cuidar de sua saúde mental: segundo uma pesquisa promovida pelo site Saúde Business, menos de 3% da população faz terapia, sendo que quase 60 milhões de brasileiros têm algum transtorno mental diagnosticado. Sendo assim, ter um tempo dedicado a si próprio garante mais qualidade de vida e bem-estar, fatores que refletirão diretamente no desempenho profissional e no aumento da produtividade. Além do mais, o autocuidado é um forte aliado para evitar a síndrome de Burnout.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, cabe ao Governo, em conjuntura com o Ministério da Saúde, ampliar a criação de leis que regulem a carga de trabalho excessiva dos funcionários, bem como disponibilizar assistência psicológica aos trabalhadores, afim de reduzir o estresse no ambiente de trabalho. Ademais, é imprescindível que a mídia – instrumento de ampla abrangência – informe a sociedade acerca do perigo das doenças mentais, bem como incentive o cuidado à saúde não só física, mas também mental, afim de mudar a realidade vivida por milhões de brasileiros atualmente. Assim, se consolidará uma sociedade mais saudável, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.