Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 17/09/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto o descaso com o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva seja pelo excesso de trabalho, seja pelo sobretrabalho, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeira análise, deve-se destacar o porquê do excesso de trabalho nas empresas. Um dos fatores que explica isso é a conduta abusiva das empresas, com o estabelecimento de metas inatingíveis e pressões para que os funcionários as alcance. Segundo uma pesquisa realizada pela Qualintin, 21% dos gestores entrevistados acreditam que as metas que estabelecem não são alcançaveis. No entanto essa estratégia tem um resultado paradoxal, devido a pressão os funcionários tem momentos de desorganização, desatenção e desânimo no trabalho, o que diminui o seu rendimento e gera prejuízos para a empresa.
Ademais, vale ressaltar que o sobretrabalho gera estresse, falta de sono e descuido com cuidados básicos, como alimentação e saúde. Isso facilita o desenvolvimento de doenças como a Síndrome de Burnout, um estado de esgotamento físico e mental que, se não tratada, pode resultar em depressão e ansiedade. Segundo pesquisas feitas pelo ISMA-B, 30% dos profissionais brasileiros sofrem dessa doença. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Nesse viés, o Ministério da Economia, ligado a secretaria do trabalho, em ajuda com o departamento de Recursos Humanos, fiscalizar as empresas, através de denúncias anônimas feitas na intranet da organização e visitas mensais de fiscais enviados pelo ministério, com a finalidade de evitar cargas horárias abusivas e abusos verbais por parte dos gestores. Ademais, cabe as empresas implementar um projeto de ação a saúde, onde semanalmente haverá na planta psicólogos, massagistas, instrutores físicos e palestras sobre os riscos do sobretrabalho. Assim, a realidade descrita por Policarpo Quaresma, acontecerá, finalmente, de fato, no Brasil.