Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 17/09/2021
No século XX, o Manifesto Futurista, redigido pelo italiano Marinetti, atestava a significância da velocidade, do cientificismo e da tecnologia como valores indispensáveis ao progresso social da época. Apesar do lapso temporal, nota-se a extensão de traços da ideologia futurista ao contexto hodierno. Contudo, a realidade do meio digital apresenta-se evolutiva apenas à disseminação de distúrbios psicológicos, bem como uma Síndrome de Burnout. Tal imbróglio se deve, sobretudo, ao modelo de vida pós-capitalismo e acarreta demais doenças na conjuntura moderna.
Em primeiro plano, é imperativo pontuar a influência do modo de produção capitalista e tecnológico na vida dos profissionais. Segundo o filósofo Mc Luhan, uma tecnologia é semelhante a uma roda: pode até facilitar, mas não apontará o caminho. Nesse sentido, é inegável os benefícios práticos da internet, porém o cenário torna-se preocupante à medida em que há a hipervalorização do rendimento no trabalho em detrimento ao descanso, igualmente necessário. Assim, essa divisão tênue entre tempo profissional e pessoal provoca, inclusive, uma sobrecarga no indíviduo que afeta sua produtividade no emprego.
Ademais, convém atentar ao perigo emocional em torno da inserção intensiva no meio digital-profissional. Ao tomar como base a obra “Sociedade do cansaço”, escrito por Byung-Chul Han, depreende-se a gravidade da glamourização da exaustão corporal e da constante auto-cobrança perante a pressão social e mercadológica associada à questão. Isso porque esse ritmo frenético no cotidiano afeta, diretamente, a saúde física e mental do ser humano, vítima desse sistema robótico. Desse modo, é incontrovertível o aumento de casos da Síndrome de Burnout, além da depressão e ansiedade na população brasileira.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar o impasse do quadro atual. Para democratizar e ampliar o tratamento desses distúrbios, urge que o Ministério da Saúde disponibilize acompanhamento psicológico por meio da nova contratação de psicólogos e psiquiatras para atuarem nos hospitais e UPAs, diariamente, em todas as capitais do Brasil. Dessa forma, evita-se-á problemas relacionados à perigosa mentalidade futurista e “presentista”.