Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 22/09/2021
O quadro expressionista “O grito”, do pintor Edvard Munch, retrata a profunda angústia do ser humano. De maneira análoga à obra artística, no Brasil hodierno, tal sentimento de inquietude faz-se presente na sociedade, haja vista os efeitos da síndrome do Burnout, isto é, do transtorno de esgotamento frente ao trabalho. Posto isso, torna-se evidente que caminhos para mitigar a situação, como o foco na saúde psíquica e o equilíbrio entre a vida pessoal e a laboral, são necessários.
De início, é fundamental destacar o enfoque em uma boa qualidade da saúde mental como uma alternativa para atenuar o estresse relacionado ao emprego. Isso porque um dos sintomas ligados a tal síndrome é a ansiedade, a qual, segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é líder mundialmente em ocorrências, com mais de 10% da população ansiosa. Nesse contexto, a circunstância não só revela-se preocupante, como também expõe que a determinação da Constituição Federal de 1988 acerca do direito dos cidadãos a um bem-estar mental não se cumpre. Sob esse viés, é inegável que a promoção efetiva de medidas que garantam a saúde psicológica dos indivíduos é mister.
Outrossim, faz-se relevante também ressaltar que conciliar a vida pessoal com as tarefas laborais é essencial ao não adoecimento no mercado de trabalho. Isso é explicado pelo fato de que a conjuntura social brasileira é marcada pelo aumento de transtornos mentais, como o de Burnout, em razão das altas cargas de ofício ligadas às cobranças por elevados desempenhos, conforme a teoria descrita no livro “Sociedade do Cansaço” do filósofo coreano Byung-Chul Han. Nessa perspectiva, a busca por uma vida equilibrada, semelhante à vida virtuosa -sem excessos nem escassez- idealizada por Aristóteles, torna-se pertinente para o combate aos efeitos da exaustão mental, já que um estilo de vida harmônico, o qual a flexibilidade tenha relevância, pode reduzir o estresse em relação às ocupações profissionais.
Em face do exposto, portanto, medidas são cruciais para minimizar o esgotamento mental nas relações de trabalho brasileiras. Logo, compete ao Ministério da Saúde construir mais Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS) nos municípios. Isso deverá ser feito por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, o qual deve elaborar um plano de mapeamento de cidades que não disponham de locais de auxílio mental suficiente, direcionando, assim, verbas a tais locais, com o fito de proporcionar um melhor suporte psicológico aos cidadãos. Ademais, cabe ao Ministério do Trabalho implementar, mediante políticas trabalhistas, ações que impulsionem as empresas a garantirem uma maior flexibilidade aos funcionários, a fim de que os trabalhadores não fiquem sobrecarregados e, desse modo, possam equilibrar de modo saudável suas ocupações com a vida pessoal. Feito isso, o sentimento de angústia, tal qual o abordado artisticamente na obra de Munch, poderá ser reduzido.