Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 08/10/2021
Vivida no século XVIII, a 1ª fase da Revolução Industrial concretizou um modo de produção baseado no uso da tecnologia para explorar os trabalhadores e garantir o lucro. Através dessa, configuram-se problemas como a necessidade da produtividade constante e a autoexploração do homem, fatores que promovem o esgotamento físico e mental da sociedade. A partir disso, identifica-se a imprescindibilidade de intervir nessa condição e alterá-la.
Partindo desse pressuposto, nota-se uma realidade na qual a produtividade constante é imposta aos indivíduos, de forma a submetê-los a um aprisionamento ao trabalho exaustivo. Essa característica foi descrita pelo sociólogo Byung-Chul Han através do conceito de “Sociedade do Cansaço”, pelo qual ele explicava a constante exaustão das pessoas, causada pelo ilusório dever de produtividade e a sobrecarga do serviço. Além disso, observa-se que na sociedade contemporânea as maiores epidemias não estão relacionadas a vírus ou bactérias, mas sim às patologias neurais. De acordo com a pesquisa realizada pela International Stress Management Association, cerca de 30 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem com a Síndrome de Burnout, evidenciando a dimensão da problemática no país.
Também há a necessidade de destacar o papel da tecnologia nesses processos. Inicialmente, a técnica era usada para suprir as necessidades naturais da vida, já no contexto da modernidade ela foi pensada para facilitar as tarefas humanas. Contudo, como descrito pelo sociólogo Herbert Marcuse, essa acaba por desempenhar uma função essencial na exploração e manipulação das massas, intensificando a sobrecarga dos indivíduos em vez de reduzi-la. Isso promove também um processo batizado pelo sociólogo Karl Marx como “coisificação”, no qual a população é observada pelo capitalismo apenas com o viés do consumo, ignorando suas reais necessidades físicas e psicológicas. Dessa forma, o sistema de produção vigente se torna o causador dos fatores que intensificam a fadiga social.
Evidencia-se, portanto, que o esgotamento físico e mental da sociedade é uma realidade a ser combatida. Para isso, o Governo Federal por intermédio do Ministério do Trabalho deve promover campanhas de conscientização por meio dos canais de comunicação como redes sociais, televisão e rádios destinadas aos trabalhadores e empresas, com o intuito de difundir informações acerca da exaustão do trabalho. Por fim, o Congresso Nacional– na sua condição de Poder Legislativo– precisa estabelecer diretrizes por meio de projetos de lei que garantam que as empresas com vínculos empregatícios intensifiquem suas formas de garantir a integridade emocional dos seus funcionários, visando diminuir a sobrecarga deles. Assim, gradualmente será reduzida a ocorrência da Síndrome de Burnout.