Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 21/10/2021
A Terceira Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, trouxe diversas novas tecnologias, entre elas a internet, e essa nova configuração tecnológica estabeleceu profundas transformações no mundo do trabalho. No entanto, apesar dos benefícios desse sistema, é notório como esse novo modelo acarretou diversos problemas na vida de toda uma geração, tal como a síndrome de Burnout -esgotamento físico e mental acometido pela vida profissional-. Assim, torna-se necessário analisar o cenário social a fim de entender as causas e consequências dessa problemática.
Em princípio, cabe ressaltar como esse contexto pós Revolução Tecnológica é preponderante para a existência de problemas que assolam a sociedade pós moderna. Segundo a ótica do filósofo Byung-Chull Han que escreveu o livro “Sociedade do Cansaço”, é explicitado como as pessoas têm suas vidas apenas voltadas para a produção, e por isso, vivenciam uma era de toxicidade profissional. De acordo com a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), a síndrome de burnout, no Brasil, atinge cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores. Nesse cenário, de um cotidiano produtivo em que realizar múltiplas tarefas tornou-se normal, como é exemplificado por Byung, fica difícil separar um tempo só para o trabalho e outro para o lazer. Antigamente, sabe-se que as pessoas costumavam trabahar oito horas por dia e apenas nos locais designados, como empresas e escritórios. No entanto, nos tempos atuais, devido toda modernização, muitas pessoas levam seus trabalhos para casa por meio da internet, e com isso, acabam esgotadas por não conseguirem a libertação desse sistema atual.
Além disso, a ideia já mostrada pelo intelectual Max Weber de que o trabalho dignificaria o homem atrapalha a pessoa de separar um tempo para si e de não viver pautada apenas para o trabalho. De tal modo, gera na sociedade um ciclo vicioso muito prejudicial para a saúde de trabalhadores que se cobram a todo tempo em terem sucesso na vida profissional e desempenham diversas tarefas para se manterem num nível acima de seus colegas de trabalho, e muita das vezes, seus adversários nesse sistema competitivo fomentado pelo capitalismo - sistema econômico que visa ao lucro e à acumulação das riquezas e está baseado na propriedade privada dos meios de produção-.
Diante disso, é importante que a sociedade tome conhecimento dessa síndrome para buscar formas de alinhar o trabalho com hábitos que sejam mais saudáveis. Por isso, medidias são necessárias para solucionar o impasse. Logo, cabe ao Ministério do trabalho, em parceria com as empresas, promover a conscientização dos trabalhadores, por meio de palestras com profissionais capacitados para falarem sobre o assunto, como psicólogos, a fim de dissolver essa cultura tóxica. Por certo, com tais medidas, esse cenário exaustivo de trabalhar não fará mais parte da geração atual.