Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 25/10/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Federal assegura, em seu artigo sexto, o direito à saúde. Entretanto, o mau gerenciamento entre a vida profissional e a pessoal tem gerado o esgotamento físico e mental (Síndrome de Burnout) de diversos indivíduos que sonham com a ascensão financeira, fator que prejudica a tutela da garantia constitucional. Diante disso, com o fito de mitigar a problemática, cabe ao Estado a adimplência adequada aos cuidados sanitários previstos na legislação atual e, à sociedade, a conscientização sobre formas de evitar os efeitos nocivos da sobrecarga laboral.
Sob esse viés, tem-se que a atuação governamental é essencial para a manutenção da homeostase (equilíbrio) sanitária no país. Nesse ensejo, tal assertiva é corroborada pelas previsões da lei do Sistema Único de Saúde (SUS), sancionada em 1990, a qual descreve uma definição ampla para saúde, em que se engloba o bem-estar físico, mental e social. Dessa forma, assim como elencado em lei, é importante que o Estado aborde o tema nas instituições de ensino, a fim de previnir a doença e seus efeitos, além de articular formas de ampliar o tratamento adequado aos acometidos.
Em segundo plano, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das demandas sociais existentes. Nesse ínterim, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar da proatividade dos políticos a solução para todos os problemas contemporâneos. Em contrapartida, como sustenta o autor, torna-se claro que, independente da política, o povo deve agir. Dessa feita, constata-se que a conscientização sobre a necessidade de se harmonizar a vida profissional com a pessoal, com foco na saúde, deve ser iniciada, ainda, no seio familiar e nas escolas.
Portanto, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da prevenção à Síndrome de Burnout. Logo, cabe ao Congresso Nacional a abertura de uma comissão, por meio de processo legislativo, com vistas a ampliar o alcance da lei do SUS em âmbito profissional. Para isso, os parlamentares deverão consultar especialistas no assunto e a sociedade civil, a fim de assegurar a pluralidade dos trabalhos. Nesse ponto, uma boa linha de ação consiste na criação de uma disciplina de nível médio e superior onde sejam abordadas formas de obter sucesso no mercado profissional sem preterir a própria saúde. Assim, gradativamente, a tendência será a redução na incidência do problema social em pauta.