Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 28/10/2021

Segundo recente pesquisa do Ministério da Saúde, o número de pessoas com doenças ansiogênicas, como o burnout, cresceu 120% nos últimos anos. Esse cenário tem sua origem numa série de fatores que tange a própria essência da forma de produção capitalista da atualidade.

O sociólogo coreano Byung-chul Han discorre sobre o tema da sociedade do cansaço, segundo ele o atual modelo de vida ocidental e capitalista cobra nivéis extremos de produtividade dos indivíduos. Assim, tem-se a gênese do problema do burnout, a ideologia do cansaço que cobra a todo o momento produtividade do sujeito, quebrando, até mesmo, a barreira entre espaço de trabalho e lazer, produzindo demandas constantes de produtividade e, por consequência, cansaço e ansiedade.

Assim sendo, é fácil de compreender as consequências desse processo ideológico. No entanto, cabe a análise da função da consequência do cansaço na criação do próprio problema. Isto é, num primeiro momento o sujeito tem sua força sugada no intuito de atingir um padrão produtivo impossível, assim, o indivíduo no estado de burnout fica cada vez menos capaz de atingir tais demandas, dessa forma, as consequências acabam, também, por retroalimentar as causas, criando um círculo vicioso gerador do problema.

À vista disso, a questão do burnout se demonstra como um problema eminentemente moderno e ligado à sociedade do cansaço. Logo, o Estado deve, por meio da garantia de acesso à terapia por parte do cidadão, desconstruir essa ideologia exaustiva, que não só danifica a saúde do indivíduo, mas também afeta a produtividade do país, a fim de gerar um maior bem-estar na sociedade.