Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 30/10/2021
No livro ‘‘A Metamorfose’’, o escritor boêmio Franz Kafka retrata a vida do personagem Gregor Samsa, o qual, ao acordar transformado em um inseto monstruoso, encontra-se frustrado psicologicamente. Tangente à obra, o estado mental de muitos brasileiros que sofrem com a síndrome de burnout é semelhante ao de Gregor. Nesse sentido, deve-se analisar como o descaso governamental e a má influência midiática corroboram a problemática em questão.
Nessa perspectiva, evidencia-se a negligência do Poder Público como fator determinante para a permanência do impasse. Sob esse viés, o filósofo contratualista Jean-Jacques Rousseau defende que cabe ao Estado implantar medidas que garantam o bem-estar coletivo. Entretanto, dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que cerca de 30 milhões de brasileiros são afetados pela síndrome de burnout que, por sua vez, causa esgotamento físico e mental nas vítimas, denunciando, assim, que o aparato estatal não cumpre a sua função social. Desse modo, se um governo se omite diante de uma questão tão importante, entende-se, assim, o porquê de sua continuação. Dessarte, faz-se necessária a reformulação dessa postura inoperante de forma urgente.
Outrossim, convém ressaltar a má influência da mídia como agravante do problema. Em ‘‘Admirável Mundo Novo’’, o escritor Aldous Huxley retrata uma sociedade com suas ideias totalmente manipuladas por meio da repetição diária e exaustiva da mesma informação. Por conseguinte, surge uma comunidade totalmente condicionada a seguir o padrão imposto pelo sistema midiático, sem levantar nenhum questionamento crítico. Dessa forma, cenário semelhante se constrói, quando mídias sociais propagam uma visão idealista de que o único modo para ascender socioeconomicamente é por meio do alto rendimento na vida profissional. Assim, é comum, por exemplo, que as pessoas se sintam sobrecarregadas e depressivas por causa do excesso de trabalho e cobranças externas.
Torna-se evidente, portanto, que o descaso governamental e a má influência midiática são as principais causas da problemática em questão. Diante disso, o Governo Federal — instância máxima dos aspectos sociais da nação —, coeso ao Ministério da Saúde, deve, com urgência, adotar estratégias para combater a síndrome de burnout no ambiente profissional, a fim de conter o agravamento desse problema. Adiante, a ação pode ser feita por meio de campanhas governamentais na televisão e mídias sociais, com o objetivo de informar sobre os prejuízos que esse entrave causa e, assim, inteirar sobre possíveis caminhos para solucionar essa situação. Como efeito social, será possível que a conjuntura kafkiana não reverbere na sociedade brasileira.