Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 04/11/2021
No quadro modernista “Operários”, da artista brasileira Tarsila do Amaral, é possível identificar 50 faces humanas em um ambiente de trabalho que, apesar de distintas, possuem algo em comum: expressões de extremo cansaço e desânimo. Paralelo à obra, a realidade contemporânea não é tão diferente da ficção, já que, é perceptível o crescimento de problemas de exaustão física e esgotamento mental ligados ao ambiente laboral. Quando o excesso de cobrança e o anseio pelo alto desempenho tornam-se uma ameaça à saúde do cidadão, a exemplo do surgimento da Síndrome de Burnout, é dever do Estado adotar medidas que visem o bem-estar da sociedade e seu pleno funcionamento.
Em primeiro plano, percebe-se que a síndrome do esgotamento pelo excesso de trabalho tem como uma de suas principais causas o desejo pela aprovação na área profissional. Desse desejo partem as cobranças exageradas e, consequentemente, o desrespeito aos limites do corpo e da mente, a fim de atendê-las. No livro “Homem-máquina”, por exemplo, o escritor Max Barry faz uma crítica à romantização da ideia da superação das capacidades do corpo e do processo de “robotização” do homem, por meio de uma personagem que chega a multilar-se para equipar-se com próteses robóticas. É preciso ressaltar que, até mesmo as máquinas apresentam capacidades limitadas e ,por isso, também podem passar por uma sistuação de “burnout” (esgotamento). Logo, é necessária extrema cautela, já que, em se tratando de pessoas, trata-se de vidas.
Outrossim, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em seu livro “Sociedade do cansaço”, afirmou que, na conjuntura contemporânea, vive-se a “sociedade do desempenho”, na qual o mais importante é provar que consegue-se sempre produzir mais. Apesar desse cenário parecer motivador, trata-se, na verdade, de um problema, pois, pode não só gerar a Síndrome de Burnout, como também sentimentos de angústias, frustrações e, até mesmo, um quadro de depressão. Logo, é inadmissível que tais comportamentos passem desapercebidos.
Por isso, devido ao surgimento de problemas de saúde ligados à vida profissional, cabe o Ministério do Trabalho e da Previdência criar um projeto de lei que garanta aos trabalhadores residentes no Barsil, o acesso à psicólogos e psicoterapeutas no ambiente laboral. Esses profissionais deverão acompanhar os funcionários, idependente de sua posição hierárquica, por meio de sessões de terapia e apresentar dados que relacionem trabalho e saúde mental. Assim, cada indivíduo poderá lidar com suas expectativas, anseios, e frustrações de forma saudável e aprenderá a tomar decisões que respeitem o corpo e a mente.