Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 09/11/2021

O romance filosófico “Utopia” – criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI – retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea, mas de forma a criar esperanças por tempos melhores – principalmente em vista do aumento da frequência com que a Síndrome de Burnout pode ser observada atualmente, tornando mais evidente as múltiplas dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores.

Sob essa perspectiva, convém enfatizar que a pandemia do COVID-19 provocou o aumento da competição em um mercado que já foi sempre tão competitivo, sendo essa uma das principais causas do crescimento do estresse proveniente do trabalho. Com o vírus, a intensificação de problemas já existentes na sociedade é facilmente observável, podendo ser mencionado essencialmente a escassez de empregos, que gerou em todos a necessidade desesperada de fazer todo o possível para manter suas vagas. Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar a falta de atuação do poder público no que se refere à escassez do conhecimento do cidadão comum a respeito das causas e efeitos causados pela Síndrome de Burnout. A presença da doença intensifica-se de tal forma no Brasil que cerca de 33 milhões de brasileiros sofrem da síndrome, segundo a International Stress Management Association (ISMA), o que indica a rapidez com a qual a condição se propaga entre a população.

Além disso, a tecnologia pode também contribuir com a doença, de forma a representar um perigoso sinônimo de pressão emocional. De acordo com Lily Aldrin, personagem fictício do programa televisivo norte-americano How I Met Your Mother, “A vida era mais fácil quando eu estava na faculdade, hoje em dia com tanta tecnologia não tem como escapar de mais nada. A todo momento sou bombardeada com mensagens de texto que me lembram de como estou sempre atrasada, até mesmo quando não estou”. Tal conceito é materializado no Brasil, à vista que a diversidade de canais de comunicação disponíveis hoje pode levar a uma sensação de sobrecarga sobre o colaborador, segundo a especialista Ana Carolina Souza, sócia da Nêmesis.

Infere-se, portanto, a necessidade de se observar através do aumento da propagação da Síndrome de Burnout no Brasil, a atual situação do cidadão brasileiro, que está sendo consumido pelo estresse e autocobrança. Assim, cabendo à sociedade que se faça prática da empatia, tanto no ambiente de trabalho quanto fora, para que contratantes não ponham sobre seus contratados a necessidade de comprometer sua saúde e estabilidade mental por medo de não ter êxito profissional e ser ainda mais prejudicado pela situação econômica atual. Dessarte, será concretizada a “Utopia” de Morus.