Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 19/11/2021

O documentário “Tracing Banking” revela o cotidiano de funcionários de bancos que, por conta do trabalho, apresentam elevado cansaço mental. Assim como é contextualizada na narrativa, não há, ainda, a plena construção de uma sociedade que previna a síndrome de Burnout, tendo em vista que, no Brasil, as atividades repetitivas dentro das empresas auxiliam no esgotamento físico e mental dos funcionários, sendo tal eixo a maior causa da problemática em questão e que contribui, dessa forma, para a formação de uma população exausta que odeia trabalhar.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que atividades repetitivas dentro de empresas auxiliam massivamente na elevação de casos de pessoas com síndrome de Burnout. Segundo o G1, em 2020, cerca de 49% da população trabalhista brasileira atuava no mercado profissional realizando as mesmas atividades diariamente, e 82% dessa parcela apresentava síndrome de Burnout. Tais dados revelam que a repetição diária das mesmas tarefas no ambiente de trabalho está conectada com os inúmeros casos de esgotamento físico e mental ligado à vida profissional. Dessa maneira, órgãos como o SUS (Sistema Único de Saúde) falham ao não conseguirem construir uma efetiva saúde no cotidiano dos profissionais brasileiros.

Por conseguinte, essas tarefas repetitivas auxiliam na construção de uma sociedade exausta e que sente raiva dos ambientes de trabalho. De acordo com o The Intercept, cerca de 70% das pessoas que atuam realizando os mesmo processos laborais criam uma relação de raiva com o trabalho, tendo o cansaço como fonte desse sentimento. Sob essa ótica, torna-se evidente os riscos e consequências que se atrelam ao cansaço provindo da falta de diversificação dos processos produtivos das instituições profissionais, pois tal eixo consolida sentimentos negativos em relação ao trabalho, que compromete, assim, a saúde mental de diversos agentes do mercado de trabalho brasileiro. Sendo assim, torna-se claro que medidas devem ser tomadas para mudar o cenário do problema em questão.

Desse modo, o SUS, principal órgão de saúde do Brasil, em parceria com o Ministério do Trabalho e Previdência, por meio de emendas parlamentares, deve criar uma cartilha que oriente os gerentes das grandes empresas a incluírem sistemas de rotações de funções em seus processos laborais, a fim de fazer com que as atividades dos funcionários variem e as tarefas repetitivas diminuam. Logo, se consolidará uma sociedade mais saudável, que evitará a realidade apresentada no cotidiano do documentário “Tracing Banking”.