Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 26/02/2022

“A Flor da Inglaterra”, romance de George Orwell, gira em torno da vida de Gordon, um escritor do início do século XX, falido, que tenta encontrar a felicidade sem ter que se render ao sistema e trabalhar incessantemente para conseguir sucesso financeiro, e, portanto, pessoal. O desenrolar mal-sucedido da vida de Gordon nos mostra que isso é quase impossível, e o desenrolar do século XX intensificou ainda mais esse processo: cada vez mais, uma busca por sucesso profissional, abdicando de momentos de lazer pela produtividade e pela aprovação dos “chefes”, se tornou a demolição da saúde mental e de um futuro feliz.

Para o indíviduo, inicialmente, isso significa uma falta de controle sobre os próprios sentimentos e sobre seu cotidiano. Por isso, consequências psicológicas têm aparecido com intensidade, como a Síndrome de Bornout. Tendo como sintomas esgotamento físico e mental e o aparecimento de doenças como a depressão, o aumento no número de afetados por ela indica que as empresas e o próprio estado têm sido ineficientes em combater esse movimento, demonstrando não estar a par das suas consequências para a sociedade em um futuro próximo.

Para os núcleos familiares e para o coletivo, mudanças prejudiciais como crianças crescendo com responsáveis ausentes, relacionamentos mais instáveis e cotidiano estressante nas cidades, devem ser recorrentes, chamando atenção para uma nova filosofia apressada e irritada de vida.

Essa filosofia se contrapõem às filosofias helenísticas, como o estoicismo, onde a preocupação com os acontecimentos da vida é irrelevante e deve ser evitada, e o cinismo, que busca se livrar do materialismo, voltando-se às necessidades básicas para ser feliz e desprezando a ascenção financeira que é a causa do esgotamento.

Dessa forma, conseguimos concluir que as empresas devem ser mais empáticas com seus funcionários, assegurando-lhes qualidade de vida de maneira integral, como previsto pela constituição (a medida que o estado deve fiscalizar e atuar nesse processo com políticas públicas). Os indíviduos também precisam pensar de maneira mais ativa sobre auto-cuidado, levando em consideração sempre seus limites e desejos. Não é necessário que se seja um Gordon ou o extremo oposto dele: apenas que encontremos o equilíbrio saudável que existe.