Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 06/04/2022
Em “Tempos Modernos”, filme produzido e estrelado por Charles Chaplin em 1936, a questão da alienação física e ideológica, impostas pelo meio de produção Fordista, evidencia os impactos na vida em sociedade e nas relações trabalhistas causados pelo capitalismo. Paralelo às telas, a contemporaneidade se conecta analogamente à obra, haja vista que, o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional - Burnout -, explicita a domestificação do proletariado frente ao ambiente de trabalho, criada e perpetuada por um Estado sustentado em pilares de ganância e de individualismo.
Nesse sentido, o governo tem grande parcela de culpa na causa do Burnout. Isso porque, ele, na busca incessante pela produtividade e pelo lucro, associado, tanto a empresas privadas, quanto a públicas, não cria, de forma efetiva, políticas sociais contra o trabalho excessivo. Dessa maneira, a domestificação da população assalariada cria a ideia algoz de produtividade massiva como alvo a ser alcançado. Como consequência disso, tem-se o lucro unilateral às empresas e o contínuo desgaste do proletário.
Além disso, a atualidade vive em conformidade com Isaac Newton: " Um corpo tende a permanecer em repouso até que uma força contrária atue sobre ele". Dessa forma, observa-se a contraproducencia do Estado que, por se manter inerte às necessidades de rigidez das leis trabalhistas, se mantém em um ciclo vicioso entre causa e consequência, permitindo que outros problemas inerentes ao Burnout se intensifiquem, como a depressão, a crise de ansiedade e a progressiva improdutividade.
Destarte, a força que faz com que a atualidade supere a inércia de Newton deve vir do Estado em parceria com o Poder Judiciário - que são bases da organização social- na criação de projetos, por meio de leis, como da diminuição da jornada de trabalho permitida, a fim de preservar a saúde mental e a produtividade dos trabalhadores. Além disso, é benéfica a ação do Ministério da Saúde com a mídia, por possuir alta coersitividade, na criação de propagandas que explicitem as causas e as consequências dessa síndrome, a fim de torná-la notória à população. Assim, será possível se desprender da alienação capitalista proposta pelo filme.