Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 21/09/2022
O jurista brasileiro Ingo Sarlet apresenta que o Princípio de Dignidade da Pessoa Humana garante a participação da coletividade e do Estado na proteção do ser humano. Não obstante, tal teoria jurídica não é plenamente garantida no ambienta laboral, na medida em que problemáticas sociais e estatais prejudicam o tratamento digno dos trabalhadores, afinal, o esgotamento físico e mental é uma realidade entre esses indivíduos. Diante disso, torna-se imprescindível analisar criticamente omissão governamental e a influência do capitalismo na sociedade como fatores que obstaculizam o combate à patologia desenvolvida por esse contexto hostil: a Síndrome de Burnout.
Sob esse viés, David Sanchez Rubio, jurista da Universidade de Sevilha, expõe a Teoria Crítica dos Direitos Humanos, segundo a qual as ações estatais são caracterizadas por um abismo entre teoria e prática das garantias fundamentais. À luz dessa reflexão, exemplifica-se a violação do direito à condição justa, favorável e saudável de emprego, assegurado na Constituição de 1988, uma vez que o poder público falha na efetivação de políticas públicas eficazes para a formação de ambientes empregatícios harmônicos. Isso é perceptível não só pela falta de contratação de profissionais capacitados a colaborar com as relações interpessoais, como psicólogos e psicanalistas, mas também pela escassez de projetos no meio laboral, como palestras e eventos sociais, que abordem assuntos como a importância do trabalho em grupo e a boa liderança. Desse modo, com base na denúncia de Rubio, o mercado de trabalho se torna um ambiente desprovido de relações pessoais saudáveis, fato primordial para o surgimento de situações desgastantes, as quais são responsáveis pelo desenvolvimento da Síndrome de Burnout.