Sistema carcerário brasileiro: problemas e soluções
Enviada em 09/04/2021
A obra “Memórias de Cárcere’’, de Graciliano Ramos, relata os maus tratos e as péssimas condições de higiene na rotina carcerária. Nessa perspectiva, a história do livro se alinha ao Brasil, visto que os preidiários se encontram em condições insalubres, com extrema violência e, por tabela, a superlotação, fatores esses que corroboram para o aumento dessa mazela no sistema carcerário. Nesse sentido, nota-se uma imagem de omissão e desleixo que apadrinha a humanidade.
Essa assertiva deriva, em especial, da pífia ação do Poder Público nessa área. De acordo com a Constituição Federal de 1988, o direito ao bem-estar físico, mental e social é garantido a todos os indivíduos. Em contrapartida, o Estado não efetiva tal príncipio, uma vez que a explosão da violência e a lotação das prisões são os maiores empecilhos dessa agrura, isto é, em celas que cabem três indivíduos, há números exarcebados, ultrapassando os limites, de acordo com o G1. Com isso, a formação de quadrilhas e rebeliões se expandem, haja vista as circunstâncias em que se encontram. Logo, mostra-se um Governo ineficiente nessas conjunturas.
Por sua vez, outro vetor é o papel apático do olhar coletivo nessa temática. Na ótica de Clarice Lispector, “O óbvio é a verdade que ninguém quer ver”. Sob esse viés, quando imagens de ausência de higiene nesses locais e, sobretudo, castigos exagerados aos prisioneiros deixam de afetar a sociedade, percebe-se o absentismo de empatia e solidariedade ao próximo, mesmo que tal indivíduo tenha cometido um delírio, pois todos são cidadãos e merecem respeito. Dessa forma, é fulcral que a coletividade reformule sua atuação, com o fito de haver melhorias.
Infere-se, portanto que, nessa problemática, o Estado deve intensificar os investimentos nessa esfera, por meio de verbas destinadas para essa área, ampliando as estruturas carcerárias e, por extensão, promovendo uma melhor organização dos detentos dentro da cela, a fim de barrar o percurso de todo o caos e manter uma relação harmônica. Ademais, o olhar coletivo precisa tonificar a tarefa de discussão acerca dessa mazela, por intermédio de palestras educativas e documentários inseridos nessa causa, com o intuito de fomentar a consciência coletiva. Desse modo, para que a obra de Graciliano deixe de ser uma realidade brasileira.