Stalkear: quando é considerado crime?
Enviada em 30/08/2023
O filme americano “Taxi Driver” acompanha a história de um jovem que, em face à uma sociedade extremamente individualista , se ve em completa solidão. Isto muda quando ele encontra em uma mulher o seu novo significado e, com o decorrer do filme, essa obsessão se torna violência de gênero. Apesar de se passar na ficção, tal cenário é um retrato de um crime comum no contexto hodierno brasileiro, o crime de “Stalkear”. Essa prática, inicialmente inofensiva, pode ganhar novas proporções, conforme observado no filme. Com isso em mente, é importante salientar como esses desdobramento muitas vezes são influenciados por uma sociedade cada vez mais individualista e de um desenvolvimento social brasileiro patriarcal.
Com isso em vista, no livro “Modernidade Líquida”, o sociólogo polones Zygmunt Bauman discorre sobre como nossa sociedade está se tornando cada vez mais individualista e as relações humanas se fragilizando, por isso, uma grande parte da população se ve cada dia mais sozinha, enquanto a sociedade se torna cada vez mais conectada. Esse contexto de solidão e facilidade tecnológica pode levar ao surgimento de um comportamento de perseguição, onde um indivíduo pode colocar em risco a integridade física e psicológica de outrém.
Além disso, é importante levar em consideração o contexto histórico. No livro “Subcidadania brasileira”, o autor Jessé Souza discorre sobre como o desenvolvimento histórico brasileiro foi conduzido por uma elite patriarcal machista e, consequentemente, todas as relações sociais estão marcadas pelo gênero, fazendo com que grande parte das vítimas desses crimes sejam mulheres e os perpetuadores homens.
Inquestionavelmente essa é uma problemática complexa, portanto é necessário uma ação arrojada do estado e da sociedade civil. A União, através do Ministério da Educação, deve incluir no currículo nacional de educação discussões sobre o crime de “stalkear” e as suas problemáticas e causas. Nesse sentido, a sociedade civil deve se organizar e criar campanhas e eventos de amparo as vítimas e de cobrança às autoridades para o pleno cumprimento da lei.