Stalkear: quando é considerado crime?
Enviada em 03/09/2023
A série “Black Mirror” retrata, em um de seus episódios, uma sociedade que vive em função das redes sociais, tornando o ato de stalkear e perseguir pessoas digi-talmente, bem comum. Essa conjuntura, não é distante da realidade do Brasil, na qual a ineficácia da ação escolar somada à negligência estatal, configuram-se como agravante no crime de stalkear. Sendo assim, urge a necessidade de soluções ino-vadoras que venham mitigar as complicações ligadas a essa busca exagerada no ambiente virtual por informações da vida individual de cada indivíduo.
Sob essa análise, é fulcral mencionar que a falta de conhecimento da população sobre como se utilizar os meios tecnológicos de maneira adequada, finda por agra-var a problemática. Nesse contexto, examina-se a ruptura da ideia proposta por Durkheim, o qual afirmava que as instituições de ensino são responsáveis pela cria-ção do ser social. Desse modo, uma reorganização estrutural das escolas é precisa, visto que a carência de habilidade de usuários com a internet torna o seu uso ir-responsável e sem noção das transgessões ligadas a invasão de privacidade indivi-dual, aumentando o número de stalkers nessa esfera social.
Outrossim, cabe ressaltar a importância de um Estado ativo na resolução de ques-tões sociais. Dessa forma, para Bauman, um órgão quando posicionado de forma a ignorar sua atribuição original é considerado em um estado de “Zumbi”. Tendo isso em vista, observa-se que o Estado brasileiro é análogo a esse conceito, pois sobre os casos de crimes relacionados a perseguição digital ele é ausente. Logo, tal postu-ra negligente, contribui para que cada vez mais usuários tenham suas vidas impor-tunadas por outros que vivem em função de analisá-las e julgá-las.
Depreende-se, portanto, que recursos são imprescindíveis para atenuar o proble-ma. Para isso, o Ministério da Educação - como regulador das escolas no país - pre-cisa promover a criação de debates, sobre como o uso imprudente das tecnologias pode afetar a vida das pessoas, por meio da contratação de profissionais da área para agregar conhecimento e executar seu papel primordial de forma eficaz. Ade-mais, o Governo, como mediador da lei, precisa fornecer incentivos fiscais para em-presas que viabilizarem maneiras eficientes de identificar stalkers. Assim, garantir-se-á uma realidade distinta da vivida em “Black Mirror”.