Stalkear: quando é considerado crime?
Enviada em 16/10/2023
Com a inserção da internet no cotidiano da população, a criação de redes sociais se tornou uma forma de integração. Existem, porém, riscos de expor a vida publicamente, uma vez que o usuário não possui controle total sobre quem o acessa. Devido a isso, a criação de nomes como “Stalker” são utilizadas para caracterizar indivíduos que insistentemente procuram sobre a vida do usuário, perseguindo diariamente e assediando ou manipulando a vítima indefesa, como exemplificado na série “You”, onde um homem se apaixona por uma mulher e por meio das redes sociais, passa a procurar formas de controlar e observar a vítima.
Primeiramente, é importante ressaltar que o advento das mídias sociais facilitou interações e a obtenção de informações. No entanto, ao ser utilizado por mal-intencionados, torna-se uma ferramenta utilizada para assediar, perseguir e invadir a privacidade das vítimas, tal como as “Sasaengs”, perseguidoras obssessivas de famosos sul-coreanos, que para conseguirem sua atenção, chegam a ferir e ameaçar. Paralelamente no Brasil, o caso Ana Hickmann demonstra que esse problema está mais perto do que imaginamos e os perigos invisíveis da internet.
Ademais, a utilização constante das redes sociais pelos usuários e a necessidade de atenção, facilitam os “stalkers” em suas intimidações e controle sobre o paradeiro da vítima. No Brasil, entretanto, esse fenômeno pode estar relacionado ao aumento dos casos de feminicídio, visto que a obssessão de ex-cônjuges pode ser fatal, como exemplificado no filme “Encaixotando Helena”, onde um cirurgião não quer se separar de seu primeiro amor e resolve amputar seus membros para tê-la sob controle. Assim também ocorre com as mídias digitais, ao serem utilizadas como uma forma de acompanhar e observar a vítima 24 horas por dia, tendo como consequência a morte trágica e precoce, como da cantora Bjorn, ocasionada por um fã e perseguidor. Tais atos colocam em voga a saúde mental na contemporaneidade e os perigos da exposição exagerada.
Portanto, com o objetivo de combater a “Cultura do Stalk” na sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estabeleça uma parceria com as redes sociais para denunciar tais crimes. Para isso, será fundamental a criação de um portal de denúncias e a contratação de profissionais para julgar casos. Do mesmo modo, devem ser feitas palestras em escolas visando a conscientização dos riscos de se expor em redes sociais e a disponibilização de psicólogos gratuitos em centros de ensino, visando evitar tais situações de desconforto e aconselhar vítimas. Assim, o Brasil poderá erradicar o problema e os cidadãos se sentiram seguros em meios digitais.