Stalking: o crime de perseguição no Brasil
Enviada em 12/03/2022
O livro “1984”, de George Orwell, retrata um cenário distópico no qual o Estado vigia e persegue constantemente os cidadãos, por meio de telas espalhadas pelo país. Fora da ficção, com as ascensão das redes sociais, o mundo passou a viver de maneira próxima ao que foi descrito por Orwell. Entretanto, esse tipo de abuso não ocorre em âmbito estatal, mas por qualquer um com acesso à mídia. Isso ocontece pela romantização do “Stalking” e pela ineficiência de ações contra esse crime.
Primeiramente, vale analisar a série “You”, a qual relata relata a história de um perseguidor de mulheres no campo virtual e na vida real. Essa obra representa a realidade de 70 a cada 100 mulheres no país - segundo dados do jornal G1. Todavia, ao contrário de gerar comoção e alerta nos telespectadores, o “stalking” foi ainda mais romantizado, situação visível na repercução de vários comentários exaltando o protagonista e diminuindo a gravidade de seus atos. Isso é uma problemática porque dificulta a compreensão sobre a seriedade desse assunto, então, a banalização das perseguições afasta a existência de medidas eficazes contra o crime do “stalking” no Brasil e as vítimas continuam silenciadas.
Ademais, ainda que o Senado Federal tenha sancionado uma Lei para criminalizar a perseguição em ambiente virtual no Brasil, só isso não é o bastante para conter os danos dessa prática lamentável. Nesse sentido, é importante observar que, mesmo que o transgressor seja punido e afastado da sociedade, as vítimas continurão tendo que conviver com todas as sequelas psicológicas do que foi experimentado. Somado a isso, ainda existe o fato de que a Lei não está sendo bem divulgada e muitas pessoas consideram que o acesso ao direito de denúncia é algo muito distante. Logo, as vítimas não se sentem assistenciadas como deveriam.
Portanto, fica visível que ainda existem medidas a serem tomadas. Dessa forma, é dever do Ministério da Justiça criar campanhas contra a banalização da perseguição em ambiente virtual, por meio de investimentos em palestras sobre o “stalking”, propagandas que visam divulgar informações sobre a nova Lei e grupos de apoio psicológico para as vítimas desse crime. Tudo isso deve ser feito em parceria com influenciadores digitais e com as escolas brasileiras, pois só com essa integração será possível combater a perseguição no Brasil.