Stalking: o crime de perseguição no Brasil

Enviada em 05/05/2022

Produzida pela “Netflix”, a série “You” retrata a história de Joe, um homem que se interessa por Becky, moça muito ativa em redes sociais, e começa a perseguí-la nas redes e na vida real. Essa perseguição ocasiona diversos problemas na vida da mulher. Assim como na série, inúmeras pessoas fora das telas são vítimas de “stalking” - o ato de perseguir e colocar a segurança da outra pessoa em risco - que leva à análise do quanto os usuários das mídias se expõem em suas contas sociais e maneiras de solucionar essa problemática.

Após a popularização das redes sociais, os malefícios gerados por elas se tornaram mais evidentes, dentre eles está a exposição exagerada dos usuários. As pessoas postam vários detalhes da sua vida pessoal, como horários em que saem e chegam em casa; localizações de onde trabalham, estudam ou frequentam regularmente; e se moram sozinhas ou quando ficam sozinhas. Tais informações podem parecer inofencivas, porém nas mãos de um perseguidor obsessivo, pode colocar a vida da vítima e de seus entes em perigo.

Além disso, outro fator que contribui para o alto número de casos de “stalking” é a banalização da palavra “stalkear”. Os jovens e adolescentes, mesmo que sem pretenção, tiraram a conotação criminosa e deram uma mais suave à palavra. Hoje, revirar os perfis de uma pessoa não é visto como um crime, mas uma mania indecorosa. Esse fenômeno pode ser explicado pelo termo “banalidade do mal” - cunhado por Hannah Arendt - que afirma que a massificação da sociedade forma indivíduos sem caráter reflexivo, então o indivíduo faz o mal, não por ódio, mas por falta de consciência, movimento que torna o mal um ato banal.

Em síntese, tendo em vista os argumentos apresentados, é imprescindível o combate ao crime de perseguição no país. Portanto, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Tecnologia, promova campanhas nos canais de televisão e nas plataformas digitais, a fim de informar sobre os riscos da exposição excessiva da vida pessoal no meio virtual e, dessa forma, conscientizar a população e prevenir a ocorrência de abusos e assédios. Pois, como afirma o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado prover a segurança de seus súditos.