Stalking: o crime de perseguição no Brasil

Enviada em 15/06/2022

Na obra " Brasil: uma biografia", as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas destaca-se a difícil e torturosa construção da cidadania. Embora o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza. Tal fato é evidenciado no crime de perseguição no Brasil, problemática que persiste atrelada à realidade do país, seja pela má influência midiática, seja pelo risco à saúde psicológica.

Em primeiro plano, vale destacar que a má influência midiática mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman “não são as crises que mudam o mundo e sim nossa reação a elas”. Mediante esse pensamento compreende-se que a sociedade pode superar os desafios causados por essa adversidade, isso é perceptível, já que muitas pessoas se tornam escravas das redes sociais, posto isso, muitas delas criam hábitos de iniciar bate-papos com estranhos, assim a colocar suas vidas em risco ao divulgar informações pessoais sob o domínio de desconhecidos.

Outrossim, é imprescindível salientar que o risco à saúde psicológica é outro fator que corrobora à manutenção do imbróglio, visto que mulheres e adolescentes são os principais alvos de perseguições no país, de modo que são ameaçados pelos perseguidores e obrigados a ficar em silêncio diante da situação, sendo assim esse silenciamento e o medo pode causar doenças mentais, como a depressão e a ansiedade. Nessa perspectiva, tal problemática deve receber uma atenção política especial, pois, como afirma o escritor português José Saramago é preciso solucionar os problemas e não apenas enxergá-los.

Portanto, cabe ao Governo Federal- devido ao seu poder ativo na sociedade- elaborar projetos e políticas que visem minimizar as perseguições no Brasil. Tais ações podem ser concretizadas por meio de redes sociais e banners informando sobre os malefícios causados pela má influência midiática. Além disso, professores e administradores devem ministrar palestras em escolas e empresas mostrando os prejuízos causados pelo risco à saúde psicológica. Desse modo, solucionar-se a tais diversidades que insistem em atentar contra a dignidade humana.