Stalking: o crime de perseguição no Brasil
Enviada em 01/08/2022
Com o advento da internet, a facilidade de encontrar uma pessoa distante se tornou uma arma para indivíduos mal intencionados. O crime de perseguição intensa no Brasil advém da noção de posse sobre outro cidadão que, na maioria das vezes, é mulher. Sendo assim, é perceptível que o ato de “stalkear” está diretamente relacionado com a impunidade de atos machistas em uma sociedade, ou seja, a perpetuação de valores patriarcais leva à insegurança de diversos indivíduos.
No que tange a problemática da perseguição intensa no Brasil, um fator significativo pode ser considerado. Mary Lynn Bracht, em seu livro “Herdeiras do Mar” relata sobre a solidão de Hana, uma garota coreana capturada por soldados japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Assim como Hanna foi perseguida diversas vezes pelo soldado Morimoto, muitas mulheres são alvos de homens que as vêem como objeto de posse, fazendo com que o medo se torne presente na vida das vítimas. Deste modo, o crime de “stalking” é uma consequência da maneira como mulheres são tratadas em uma sociedade.
Ademais, é importante ressaltar a impunidade com a qual é tratado o crime de perseguição no Brasil. De acordo com o conceito de “banalidade do mal”, definido por Hannah Arendt, o caráter humano do indivíduo é posto de lado a fim de não assumir a iniciativa de seus próprios atos. Do mesmo modo, atitudes que perpetuam o pensamento machista em uma sociedade são tratadas com tamanha banalidade que torna difícil a manutenção da segurança individual de mulheres.
Portanto, é possível identificar no machismo a causa pelo crime de perseguição intensa no Brasil. Para que tal questão seja amenizada, é essencial que o governo atue como agente principal para minimizar tal crime ao incentivar a educação a respeito do delito em foco por meio de palestras em escolas, visto que tais atitudes são normalizadas desde a infância, além da separação efetiva entre Estado e Igreja, punindo com empenho políticos que insistem em pregar seus ideais religiosos no local de trabalho, visto que esta instituição também é uma grande contribuinte para a banalização de atos machistas. Assim, o país poderá se tornar um local livre do medo.