Stalking: o crime de perseguição no Brasil
Enviada em 28/06/2023
Na série “You”, da Netflix, Bianca e Love são perseguidas por Joe, um sociopata que “stalkeia” mulheres pelas redes sociais até conseguir se relacionar com as mesmas, matando-as quando as relações começam a dar errado. Assim como na obra abordada, observa-se que, devido à exposição excessiva nas redes e a banalização do termo “stalking”, há a manutenção desse crime de perseguição no Brasil, uma vez que os indivíduos se exibem excessivamente no meio digital e se vangloriam por saberem executar desse ato. Dessa forma, é imperiosa a retificação dessas mazelas para a harmonia social.
Em primeira análise, faz-se necessária a discussão acerca do compartilhamento exacerbado da rotina de vida na internet, o que facilita a ação de crimes virtuais, como o “stalking”. Tal fenômeno ocorre porque na sociedade atual há uma ânsia em mostrar o que está acontecendo na própria vida, com a pretensão de receber curtidas e comentários, fazendo com que os indivíduos passam a publicar cada detalhe do seu dia-a-dia. Nesse sentido, cabe ressaltar o sociológo Pierre Bourdier, em que nos seus escritos diz que: “A mídia e a internet, meios criados para avanços positivos na sociedade, passaram a ser palcos de opressão”. Diante disso, os criminosos, hoje chamados de “stalkers”, conseguem obter informações pessoas das vítimas facilmente, mantendo tal crime entre a população.
Ademais, é fato que a banalização do termo “stalking” corrobora com o problema na nação. Nesse viés, a perseguição de pessoas próximas tornou-se algo banal e comum nos diversos ambientes sociais, como escola e trabalho, sendo os perseguidores valorizados pelos seus colegas devido a sua capacidade de descobrir dados intímos de alguém. Conforme tal, é pertinente mencionar a filósofa Hannah Arendt, no qual na sua teoria da “Banalização do Mal”, cita que a vivência usual de atitudes problemáticas, fazem os cidadãos negligenciarem as mesmas, julgando-as como normais. Deste modo, pela falta de responsabilidade social em presenciar o crime de perseguição frequentemente e lidar com o ato de maneira comum, o ato ilícito permanece no corpo social.