Stalking: o crime de perseguição no Brasil

Enviada em 02/10/2023

Observa-se que muitas disscussões têm ocorrido acerca do ato “Stalkear” — que pode ser traduzido para perseguir. Na série norte americana “You”, acompanhamos o personagem Joe, que persegue e manipula suas vítimas através das redes sociais. Em semelhança, segundo o Anuário de Segurança Pública, no Brasil, é registrado três casos de stalking por hora. Isso acontece devido ao negligenciamento governamental e a má influência midiática, fatos que culminam em preocupantes mazelas.

Em primeiro lugar, conforme o conceito de “Banalidade do Mal”, da filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidência a negligência do governo em relação ao ato de stalkear alguém, configurando a trivalização da maldade, o que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indíviduos. Nesse viés, a escassez de projetos que visem a consciência dos brasileiros auxília para a precariedade do estigma, já que, dessa maneira, a população desconhece as ameaças à integridade fisíca e psicológica que tal imbróglio pode ocasionar.

Ademais, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse sentido, nota-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação ao público a respeito do stalking e as sequelas provocadas pelo assédio persistente, infelizmente, promove o silenciamento midiático e a romantização do infortúnio, já que — em redes sociais, séries de TV — não há debates satisfatórios para gerar senso crítico, e a criação de personagens que abrangem o comportamento abusivo do stalker se faz cada vez mais presente. Consequentemente, o consumo excessivo e pouco discutido do assunto faz com a sociedade não enxergue o problema com a seriedade que deve.

Portanto, cabe ao Governo, junto às mídias, criar campanhas e debates acerca dos impactos do stalking no país; tal ação deve ocorrer por meio de vídeos lúdicos, curta-metragens e palestras gratuítas. Isso será feito com o intuíto de remediar não somente a negligência governamental diante da situação, mas também o silenciamento midiático, contrapondo o elucidado por Bourdieu.