Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 12/09/2019

Segundo a ONU, 1 a cada 9 pessoas no mundo está subnutrida. No Brasil, essa realidade existe desde a colonização e hoje é perpetuada pela má distribuição de alimentos. Nesse contexto, é importante analisar as influências da economia na distribuição de alimentos e a deficiência do sistema distributivo.

Antes de tudo, é preciso perceber que a falha no modo de fornecimento de alimentos não é algo isolado e sim uma construção histórica. Na época da colonização, percebe-se o início do processo de concentração de renda no Brasil. Nesse cenário, nativos perdem terras para cultivar seus alimentos e entram em relações econômicas nas quais necessitam trabalhar muito para receber pouco, situação que mantém-se na atualidade, A Declaração de Roma, coloca a pobreza como a principal raiz do problema de acessibilidade a alimentos, pois tal realidade infringe o artigo número 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que menciona o direito de todo cidadão ter um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família alimentação.

Além disso, é preciso entender os problemas no processo de provimento de alimentos em si. Nesse âmbito, é válido comentar que o mercado é movido pela procura. Assim sendo, a maior oferta de alimentos é dirigida aos centros urbanos, lugares que possuem maior poder aquisitivo. Tal quadro manifesta a falha no sistema de recursos necessários para ter acesso à alimentação, sistema esse baseado na estruturação social. Assim, os cidadãos são privados de alimentos de todas as formas, pois não possuem recursos financeiros e, muitas vezes, acesso físico aos alimentos.

Portanto, é evidente que a subnutrição é diretamente conectada aos processos de distribuição alimentar. Desta forma, faz-se necessário que governos federal, estadual e municipal trabalhem juntos para construir programas de segurança social que assegurem o direito econômico apresentado no artigo 22º da DUDH. Famílias devem receber auxílios conforme a necessidade e contexto do núcleo em que estão inseridas. Ademais, o Estado deve criar programa junto à grandes empresas alimentícias para levar alimentos à áreas mais afastadas, assegurando o direito à alimentação daqueles que não estão em centros urbanos.