Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 11/09/2019
Segundo a Organização Mundial da Saúde, denomina-se saúde como o bem estar físico, mental e social de uma pessoa. Porém, a realidade de muitos brasileiro não se assemelha a essa condição, uma vez que mais de 5,2 milhões de cidadãos passam fome, conforme a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. Diante disso, cabe analisar com maior amplitude esse problema que contradiz o direito a uma boa alimentação aos brasileiro, assegurado pela Constituição de 1988.
Em análise primária, destaca-se como o capitalismo, vigente desde o século XVI, corrobora com os problemas relacionados à fome atualmente. Anne Leonard, no livro “A história das coisas”, discorre como esse sistema que visa o lucro, somente, restringe o bem estar às pessoas de classe social mais alta. Para ilustrar, a trilogia “Jogos Vorazes” retrata a escassez de alimentos enfrentada pelos distritos mais pobres da sociedade, enquanto os das classes sociais mais elevadas provocavam vômitos para conseguir comer mais. Além disso, a Organização da Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, indica que o mundo produz comida suficiente para toda a população, evidenciando que a má distribuição desses alimentos é responsável pela fome atual.
Por conseguinte, os impactos provenientes da má nutrição são alarmantes. Por ser essencial ao corpo humano, a falta de alimentação resulta na incapacidade do indivíduo de exercer suas funções cognitivas, o que compromete a realização de suas atividades diárias. Desse modo, uma pessoa em estado de fome não consegue trabalhar e, sem salário, não conseguirá se manter, o que gera um ciclo de miséria e fome. Não só isso, a economia do país é impactada diretamente, uma vez que a elevada taxa de desempregados desestabiliza o comércio nacional. Diante disso, é possível estabelecer uma relação entre o ciclo da fome e a dívida externa do Brasil, a qual, segundo o Tesouro Nacional, acumulou-se em mais de 3,5 trilhões de reais, no ano de 2018.
Diante dos fatos supracitados, portanto, urge que medidas sejam providenciadas para a erradicação do pertinente imbróglio no país. Cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), a elaboração de um cardápio escolar rico em verduras e legumes, pois, desde a infância, as pessoas de todas as escolas públicas do país serão estimuladas a consumir mais nutrientes e vitaminas, além de contribuir com os agricultores comerciantes da região. Ademais, o MEC também deve criar programas de hortas coletivas nas áreas não utilizadas nas cidades, cultivadas pelos próprios alunos, para que a população carente se alimente de forma gratuita e regular, além de contribuir com o fim do ciclo da fome. Desse modo, somente, o Brasil fará jus a sua Constituição e progredirá não só na saúde dos seus cidadãos como também na economia do país.