Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 10/09/2019
Thomas Malthus, em seu livro ‘‘An essay on the principles of population’’, afirmou que a causa da fome na Europa do século XIX era o alto crescimento populacional e a insuficiente produção agrícola. Apesar de ter sido formulada há séculos atrás, a teoria ainda encontra adeptos em várias partes do globo, influenciando decisões importantes, como a política do filho único na China. Todavia, ao observar o fenômeno da subnutrição, nota-se o distanciamento desse com esta doutrina, uma vez que suas causas principais são a desigualdade social e a falta de infraestrutura. Diante disso, é fundamental analisar o atual contexto para modificar essa realidade.
Deve-se pontuar, antes de tudo, os impactos negativos da desigualdade social na persistência desse mal. Nessa lógica, verifica-se que a subnutrição encontra raízes nos impasses existentes nas políticas sociais contemporâneas. Acerca disso, convém ressaltar que, para a teoria populacional reformista, a culpa do déficit nutricional presente não reside na baixa produção alimentícia, mas na concentração de renda nas mãos de poucos. Em consonância com esse pensamento, é evidente o papel da iniquidade na continuidade dessa moléstia, posto que, ao privar os mais pobres dos recursos necessários a sua subsistência, fere o direito à alimentação - garantia prevista na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. Faz-se imprescindível, portanto, uma ação mais efetiva do Estado a fim de solucionar essa problemática.
Outrossim, é importante salientar que a carência de investimentos em infraestrutura gera enormes desperdícios no setor agrícola. Sob essa premissa, deficiências de origem técnica, como a má qualidade dos sistemas de armazenagem no mundo subdesenvolvido, também influem nessa questão. Sendo assim, é fulcral analisar o problema sob a ótica da estatística, que revela uma perda de 30% da produção rural no transporte do alimento para a cidade - segundo dados do ‘‘World Resources Institute’’. Por conseguinte, há um encarecimento no preço desses produtos, já que os prejuízos decorrentes do deslocamento são transmitidos ao consumidor, tornando-os inacessíveis à população mais pobre. Desse modo, o acesso aos meios de subsistência refletem a lógica excludente presente na sociedade, em que somente os mais abastados conseguem adquirir esses recursos.
Depreende-se, portanto, a urgência de se adotarem práticas de segurança alimentar para garantir os direitos humanos. Primordialmente, assiste ao Ministério da Cidadania aprofundar o programa ‘‘Fome Zero’’, por meio da transferência de mais recursos financeiros aos necessitados, que serão realizados, preferencialmente, a aqueles que vivem com renda inferior a um dólar por mês, com o fito de impedir o agravamento da pandemia da subnutrição. Ademais, cabe ao Ministério do Planejamento investir na melhoria das redes de transporte já existentes, como ferrovias e portos, a fim de diminuir as perdas oriundas dos problemas de deslocamento. Somente assim, o país terá plena capacidade de enfrentar o problema atual - superando os conceitos equivocados da teoria Malthusiana.
investir