Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 11/09/2019

Consoante os juízos do filósofo holandês Espinoza, ser livre significa agir de acordo com a natureza individual e, concomitantemente, está associada à noção de responsabilidade, uma vez que o ato de ser liberto implica assumir as próprias ações e saber responder por elas. Não obstante, quando se observa a relação entre a subnutrição e a má distribuição de alimentos, percebe-se que a imprudência social, proveniente dessa liberdade, aponta diversos reveses hodiernamente. Logo, a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do Brasil.

A priori, deve-se analisar que o capitalismo financeiro moderno é um fator preponderante para estimular a má distribuição de alimentos. Dessa premissa, a aquisição de mantimentos é condicionada pela quantidade de dinheiro, em razão do sistema econômico vigente. Destarte, a comida é associada a uma mercadoria que, conforme os pensadores da Escola de Frankfurt na definição de Indústria Cultural, é objeto de manipulação e controle social, o que é evidenciado na dessemelhança de densidade desse recurso na sociedade. Por conseguinte, uma parte da população está desprovida de condições para a manutenção da alimentação ideal.Então, isso gera a subnutrição devido à concentração dos alimentos.

Outrossim, é pertinente enfatizar a influência da Revolução Verde para a desregulação alimentícia  e subnutrição no país. Afinal, a introdução de máquinas e técnicas especializadas geraram desemprego estrutural, por causa da necessidade de aumentar a produção e a qualidade dos produtos. Tal fato fortaleceu o agronegócio e alterou positivamente sua receita. Todavia, os desempregados foram marginalizados, porquanto é quase inexistente programas de elevação econômica para eles. Em virtude disso, esse grupo social submete-se à falta de alimentos, que é controlada pelas grandes empresas rurais, e,dessa maneira, sofre com a subnutrição.

Portanto, para superar a falta de alimentos ocasionada pela sua má distribuição, é imprescindível a ação de alguns setores sociais. No que tange ao Governo Federal, cabe-lhe encaminhar ao Congresso, em regime de urgência, um projeto de lei que viabilize a redistribuição de terras agricultáveis por intermédio do pagamento de indenizações aos proprietários das terras improdutivas confiscadas, a fim de estimular a autossuficiência de grupos sociais rurais marginalizados. Ademais, é fundamental que as Secretarias Municipais de Desenvolvimento Social promovam um projeto de aquisição de alimentos por intermédio da divulgação e distribuição de panfletos conscientizadores da subnutrição em áreas residencias, com o intuito sensibilizar a população local e, desse modo, amenizar a falta de alimentos dos necessitados. Assim, o homem será responsável e usufruirá da sua liberdade para o bem comum.