Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 13/09/2019

Foi elaborada, no final do século XIX, por Thomas Malthus, a Teoria populacional malthusiana a qual afirmava que enquanto a população crescia em progressão geométrica a produção de alimento era feita em progressão aritmética, assim, seria necessário políticas de controle de natalidade. No entanto, com o desenvolvimento da agricultura moderna, é palpável afirmar que a fabricação mundial de comida é suficiente para todos. Contudo, embora a quantidade supra a fome, surge outra questão relacionada à nutrição da sociedade: a subnutrição, reflexo, principalmente, da má distribuição de suplementos e da falta de atuação governamental em promover condições dignas de produção e venda.

Sob esse viés, mostra-se visível que, malgrado haja alimentos para todos, a distribuição não ocorre de maneira efetiva, de modo a gerar a subnutrição, a qual afeta, essencialmente, a parte mais pobre da população brasileira e mundial e 1 a cada 9 pessoas no planeta, consoante dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Isto é, a  má partilha de produtos comestíveis essenciais no Brasil não se trata apenas de um fator econômico, mas social, já que possui raízes na formação territorial, que sempre privilegiou algumas regiões em detrimento de outras. Em virtude disso, é possível observar a problemática da subalimentação em espaços no qual prevalece a pobreza, porquanto, geralmente, são ambientes com produção local insuficiente e baixo poder de aquisição.

Ainda nesse contexto, a carência de atenção pública à temática da falta de acesso a comida de qualidade em determinados locais acarreta em danos, tanto sociais quanto econômicos. Ou seja, o fato de haver mínimo investimentos para melhoria nas condições de produção, transporte e comercialização  de alimentos e saneamento básico, não só na zona urbana como na rural, faz com que haja contaminação e, consequentemente, o desperdício desses produtos. Além disso, o desperdício também é caudado por outros motivos como o consumismo e não é um problema exclusivo do Brasil, visto que conforme dados do FAO, no ano de 2016, um terço da comida produzida no mundo foi desperdiçada. Como produto disso, a saúde física e mental do indivíduo subnutrido é afetada, de modo a o impedir de contribuir ao desenvolvimento da nação.

Faz-se evidente, portanto, que inobstante Malthus estivesse errado acerca da insuficiência de alimentos, a escassez de acesso a esse bem é uma problemática hodierna. Dessa forma, com o fito de promover a distribuição igualitária de comida no Brasil, é necessário que o Estado, por meio da utilização de verbas direcionadas ao saneamento básico, financie avanços na produção, transporte e armazenamento de alimentos para pequenos produtores, com destaque às cidades com maior índice de pobreza, para com isso garantir nutrição de qualidade a todos os brasileiros.