Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 13/09/2019

Desde a revolução agrícola do Período Neolítico(cerca de 10.000 anos antes de Cristo), o ser humano é capaz de produzir o seu próprio alimento, seja pela agricultura, seja pela pecuária. No entanto, nem todos tem acesso à essa produção. Acreditava-se que, com o avanço da globalização e dos modais de transporte, seria possível aumentar a distribuição dos alimentos em todo o mundo. Porém, fato é que, de acordo com o Jornal da USP, uma a cada nove pessoas é subnutrida no mundo. Desse modo, é evidente que a fome não se trata apenas de uma questão logística, mas estrutural. Assim, torna-se profícuo analisar a insuficiente produção local e a má distribuição de renda mundial como pilares fundamentais da problemática.

Mormente, é cabível pontuar o papel da produção agrícola de cada sociedade no combate à escassez de alimento. Aliás, com exceção de países ricos e desenvolvidos, que conseguem adquirir insumos agrícolas por meio da importação, os países em desenvolvimento não dispõem do capital necessário para tal. Dessa forma, é imprescindível que as nações menos avantajadas financeiramente busquem uma autossuficiência alimentícia, tudo isso, com escopo de reduzir seus níveis de subnutrição. Segundo o filósofo Hans Jonas, as sociedades devem construir seus fundamentos pensando nas gerações futuras, isto é, progredir de forma sustentável. Nesse sentido, urge o investimento em setores tão vitais, como a agricultura, nesses países em desenvolvimento.

Ademais, destaca-se a ineficiente distribuição dos recursos financeiros como uma das causas da subnutrição, haja vista que a pobreza está intrinsecamente ligada a fome. Nesse contexto, é interessante parafrasear o filósofo iluminista Rosseau, o rico deve aceitar ser menos rico para que o pobre possa ser menos pobre. Evitando, naturalmente, um colapso da sociedade, assim como ocorreu na Revolução Francesa, em 1789. Assim sendo, isto é, com distribuição de renda e consequente atenuação na desigualdade social, é indiscutível que haja um decréscimo no número de subnutridos no mundo.

Fica claro, portanto, que para combater a ausência de comida, que acomete diversas pessoas ao redor do globo, é preciso almejar uma melhor distribuição de renda e um desenvolvimento agrícola assíduo nos países mais afetados. Logo, impende aos Estados, investir na sua agricultura local a fim de expropriar sua dependência alimentícia de outros países, para isso, o país deve investir em tecnologias agrícolas de produção. Além disso, cabe ao governo desses países promover uma maior distribuição de renda, por meio da criação de programas sociais que viabilizem o acesso dos mais pobres aos alimentos, como é o exemplo do Bolsa Família, no Brasil. Dado o exposto, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da subnutrição na vida de muitas pessoas.