Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 13/09/2019
Em 1958, na China, durante o projeto político do “grande salto adiante” do Governo de Mao Tsé Tung, fazendas tornaram-se propriedades do Estado. Isso, somado a questões climáticas, fez com que a produção agrícola de alimentos fosse insuficiente para toda a população. Assim, estima-se que houve 36 milhões de mortes advindas da fome. Contudo, tal situação não ocorre apenas na China, dado que é um mal social mundial, oriundo da maléfica relação entre a subnutrição e a má distribuição de alimentos, a qual decorre das ineficazes políticas públicas de combate à fome e da perspectiva egocêntrica do capitalismo, essencialmente no Brasil.
Antes de tudo, é válido ressaltar que o contexto histórico brasileiro somado à negligência Estatal contribui para o agravamento da subalimentação. Sob essa perspectiva, a circunstância da colonização, em que a colônia abastecia a metrópole e gerava lucros para essa, sem considerar as exigências básicas de sobrevivência da sociedade brasileira, faz-se presente nos dias atuais. Essa fato é percebido, principalmente, pela ineficiência histórica do Estado na garantia do abastecimento do mercado interno, uma vez que favorece a exportação e não possui sistemas eficazes para a distribuição de alimentos. Tal análise é refletida nos dados de 2018 do Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe, que evidencia os 5,2 milhões de brasileiros vítimas da fome.
Não obstante, há uma relação direta entre a subnutrição e o desenvolvimento capitalista. Nesse sentido, percebe-se as mazelas provenientes do capitalismo utilizando a máxima do “ter em detrimento do prejuízo do ser”, do escritor brasileiro José Saramago, visto que o agronegócio, com o objetivo de lucro máximo, prioriza a exportação de commodities, especialmente para a alimentação de animais. Desse modo, desvaloriza o abastecimento interno e a humanidade, o que motiva a má distribuição de alimentos e, consequentemente, a insegurança alimentar na sociedade.
Urge, portanto, a necessidade de aplicar medidas favoráveis para a resolução do imbróglio. Logo, é dever do Ministério da Cidadania criar programas sociais que visem ao combate à fome, por meio da criação de restaurantes populares isentos de taxas, os quais devem fornecer uma alimentação com valores nutricionais equilibrados, com o intuito de diminuir os índices de subnutridos no país. Ademais, cabe ao Ministério da Economia ampliar o poder de compra das classes baixas, mediante a criação de programas de distribuição de renda, que devem transferir o valor arrecadado dos impostos das grandes empresas aos mais pobres, a fim de diminuir a pravidade capitalista e de possibilitar a aquisição de alimentos pelas classes mais baixas. Com tais medidas aplicadas de forma proveitosa, a subnutrição não será mais um problema, no Brasil e no mundo, como foi para a China;