Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 17/09/2019

A Revolução Verde, em meados do século XX, propôs a erradicação da fome mediante a mecanização do campo. Entretanto, no contexto atual, mesmo com práticas sofisticadas de plantio, como o melhoramento genético, ainda se ver a existência da subnutrição no cenário mundial, principalmente nos países subdesenvolvidos. Isso ocorre, dentre outros aspectos, pela má distribuição de alimentos dessas regiões.

A princípio, mesmo que a filosofia de Hegel afirme que a fome no mundo é racional, a ausência de mecanismos que maximize a distribuição de alimentos pode significar um desrespeito a integridade física da humanidade, bem como aos direitos humanos. A esse respeito, em 1948, foi promulgada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, na qual assegura, dentre outros direitos, a alimentação. Nesse contexto, observa-se, contudo, a existência da desigualdade alimentar em muitos países subdesenvolvidos, principalmente ao analisar o monopólio de empresas que se utilizam do estoque e práticas ilegais da economia, como cartéis, para o aumento de preço de produtos, Consequentemente, verifica-se um aumento da subnutrição mundial, tendo em vista as dificuldades de consumo de alimentos pela população carente.

Além disso, cabe mencionar o impacto da subnutrição em sociedades historicamente marcadas pela desigualdade, como muitos países africanos. Isso porque, desde o Neocolonialismo do século XIX, observou-se um processo de apropriação de riquezas e segregação social nessas regiões que trouxe reflexos substanciais na má distribuição de alimentos. Como exemplo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existem mais de 250 milhões de famintos no continente africano. Nesse sentido, é visto, rotineiramente, as consequências dessa omissão internacional em países, como Serra Leoa, no qual a subnutrição inviabiliza qualquer desenvolvimento social ou econômico, principalmente porque a má alimentação prejudica habilidades humanas, como concentração e aprendizagem. Dessa forma, é visivelmente importante uma análise crítica sobre a persistência da fome na contemporaneidade.

Em suma, é necessário a busca de medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, compete a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) criar incentivos sociais para o consumo de alimentos em países pobres. Isso poderá se materializar mediante a criação de um fundo internacional, em que países desenvolvidos possam cooperar, para a compra e destinação de suplementos aos países subdesenvolvidos. Ademais, a distribuição e controle das doações devem ser feitos por órgãos internacionais para minimizar a má distribuição entre os países. Tudo isso com intuito de erradicar a fome e assegurar princípios básicos dos direitos humanos, como alimentação.