Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 17/09/2019
Segundo Sócrates, para ter saúde é preciso primeiro evitar as causas da doença. No entanto, o problema da subnutrição e sua relação com a má distribuição de alimentos adquiriu tamanha proporção que tornou-se complexa sua forma de prevenção. Como exemplo, pode-se citar a grande parte do Nordeste brasileiro que faz parte do “polígono das secas” que causa danos à agricultura e, consequentemente, à alimentação do povo nordestino. Nesse sentido, é preciso avaliar esse mal que assola a sociedade brasileira para chegar a caminhos que o atenue.
De início, cabe pontuar que incluem-se como partes do problema o consumismo e a baixa qualidade dos alimentos. Nesse prisma, como efeito da Crise de 1929, o Brasil foi responsável pela queima de toneladas de café para conter a inflação. Assim, torna-se evidente que a compra ou produção em excesso resulta no descarte de alimentos que poderiam ser distribuídos às comunidades com necessidades. Como outro fator, a falta de nutrientes em grande parte dos alimentos causada pela influência midiática no que diz respeito ao “fast food” e também pelo aumento da utilização de agrotóxicos contribuem para a intensificação do problema.
Ademais, nota-se que a má distribuição de alimentos relaciona-se com a concentração de renda ao longo da história e com o aumento da população. Nessa perspectiva, a Teoria Malthusiana afirma que a população cresce em progressão geométrica em desproporção com os recursos naturais que crescem em progressão aritmética, ou seja, o acréscimo populacional gera crise na alimentação. Dessa forma, considerando a concentração de terras atrelada à concentração de renda, grande maioria da população pobre, que cresce mais a cada dia, não tem acesso aos meios básicos de sobrevivência o que, por sua vez, procede na subnutrição causando danos físicos ou mentais ou até mesmo morte.
Destarte, cabe ao Ministério da Saúde a implementação de políticas de distribuição de alimentos nas comunidades carentes por meio de parcerias com empresas alimentícias fornecendo os não perecíveis para essa pessoas. E, ainda, importa à mídia o papel de discutir sobre o problema em novelas e propagandas e, através destas, influenciar a população na doação de alimentos em vez de descartar. Assim, o que foi instituído pela Constituição de 1988 que afirma que todos os cidadãos têm direito à alimentação será, enfim, garantido na prática de forma plena e democrática.