Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 22/10/2019
Não muito tempo atrás, no século XX, diversos países nas América, África e Ásia estavam submetidos ao neocolonialismo europeu e estadunidense, lentamente se libertando de tais vínculos de dependência e submissão. Entretanto, o legado de exploração dos recursos naturais dos países subdesenvolvidos deixou suas marcas visivelmente: com a falta de tecnologia e desenvolvimento próprios, inúmeros Estados não possuem produção alimentícia suficiente para suprir suas demandas populacionais internas. Assim, cabe analisar como a má distribuição de alimentos contribui para fomentar um tenebroso panorama de subnutrição mundial.
A princípio, é importante ressaltar como os hábitos populacionais dos países centrais contribuem para o aumento do abismo aberto pela má distribuição de alimentos. Nesse sentido, o filósofo Jeremy Bentham, em sua ética utilitarista, preconiza que as ações devem voltar-se sempre a um cálculo racional que seja útil para a maioria, minimizando ao máximo os danos. Todavia, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, cerca de 50% do total de alimentos comprados na Europa e nos Estados Unidos são desperdiçados, contrariando a lógica proposta pelo filósofo e respaldando o cenário de desigualdade alimentar no mundo.
Paralelamente a isso, a dificuldade de gerenciamento autônomo das nações periféricas acerca da questão alimentar em seus territórios é alarmante. Segundo o geógrafo Milton Santos, a globalização pode ser vista enquanto perversidade, apresentando-se como um fenômeno de escancaramento das desigualdades sociais globalmente. Dessa maneira, na contemporaneidade, os países subdesenvolvidos ainda são demasiado dependentes das infraestrutura e tecnologia das nações ricas, tornando-se incapazes, essencialmente, de controlar e monitorar sua questão alimentícia autonomamente.
Desse modo, torna-se indubitável que a subnutrição está relacionada com a má distribuição de alimentos. Para tentar combater esse cenário de desigualdade social, a ONU deve realizar conferências com o fito de estabelecer regras de conduta rígidas para com as nações centrais, regras essas sobre o destino dos excedentes de produção de alimentos de tais países, visando a distribuição do que não é consumido para os países com piores índices de subnutrição verificados. Ademais, os países que receberem tais recursos devem prestar contas à ONU e aos países fornecedores, de forma a garantir que a subnutrição diminuiu e que o neocolonialismo não reina mais.